Empreiteiros da Lava Jato pedem ministro da Justiça como testemunha de defesa

Executivos da OAS, réus em processo sobre desvios na Petrobrás, solicitam que José Eduardo Cardozo e a ex-presidente da Petrobrás Graça Foster sejam ouvidos

Redação

07 Abril 2015 | 11h00

Por Mateus Coutinho, Ricardo Brandt, Fausto Macedo e Julia Affonso

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e a ex-presidente da Petrobrás Graça Foster foram arrolados como testemunhas de defesa dos executivos da construtora OAS, presos na Operação Lava Jato da Polícia Federal. A solicitação foi feita na mais recente ação penal aberta contra 27 investigados, incluindo o ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque e o tesoureiro do PT João Vaccari Neto, por envolvimento no esquema de pagamento de propinas em obras da estatal.

Cardozo esteve envolvido em uma polêmica em fevereiro ao se reunir com advogados da empreiteira Odebrecht,  outra investigada na Lava Jato. É a primeira vez que o titular da Justiça e a ex-dirigente da Petrobrás são listados como testemunhas de réus da operação. Os pedidos para que eles sejam ouvidos ainda precisam ainda ser submetidos ao juiz Sérgio Moro, responsável pelas ações da Lava Jato, que pode acatar ou não a solicitação.

José Eduardo Cardozo. Foto: Fábio Motta/Estadão

José Eduardo Cardozo. Foto: Fábio Motta/Estadão

Além deles, foi arrolado como testemunha o ex-presidente da estatal José Sérgio Gabrielli, que já depôs como testemunha em outras ações penais relacionadas ao caso. Não é a primeira vez que um ministro é listado como testemunha. Em outra ação, a defesa do presidente da UTC Ricardo Pessoa pediu que o ministro da Defesa, Jaques Wagner, fosse ouvido como testemunha, mas recuou da solicitação em seguida, sem apresentar justificativa.

Em janeiro, o ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró, réu em outra ação da Lava Jato acusado de recebimento de propinas de US$ 30 milhões envolvendo a compra de navios-sonda pela estatal, chegou a incluir a presidente Dilma Rousseff no rol de testemunhas, mas desistiu no mesmo dia alegando que “a decisão sobre a aquisição das sondas foi privativa da Diretoria da Petrobrás, não passando pelo Conselho de Administração, onde a testemunha ora substituída (Dilma Rousseff) exercia a Presidência”.

Foto: Fábio Motta/Estadão

Foto: Fábio Motta/Estadão

Na ação penal em que Cardozo e Graça Foster foram arrolados como testemunhas, os 27 investigados são acusados de participar do esquema de desvio de dinheiro envolvendo licitações de obras das refinarias Getúlio Vargas (PR) e Paulínia (SP), além do Gasoduto Pilar-Ipojucá (de Alagoas a Pernambuco) e do duto Urucu-Coari, no Amazonas.

As propinas pagas por empreiteiras e consórcios que participaram das obras foram destinadas, segundo o Ministério Público, a diretores e operadores das diretorias de Abastecimento e de Serviços da Petrobrás, então comandadas por Paulo Roberto Costa e Renato Duque. Parte do dinheiro da propina seria ainda repassada ao PT por meio de doações oficiais negociadas com o tesoureiro João Vaccari Neto que, de acordo com a força-tarefa, se reunia regularmente com Duque para definir os valores das propinas das empresas ao partido. Já Paulo Roberto Costa seria o principal intermediário entre as empreiteiras e políticos do PP, segundo os investigadores.

A reportagem entrou em contato com o Ministério da Justiça por e-mail, mas ainda não obteve resposta. A assessoria de Graça Foster não foi localizada para comentar o caso.

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