Empreiteiro negocia delação sobre Lula, diz revista

Ex-vice-presidente da OAS, Léo Pinheiro, cujo celular registra menções a 'brahma' e a Aécio Neves, teria autorizado seus advogados a conversar com o Ministério Público Federal; defesa nega

Redação

24 de julho de 2015 | 23h41

O ex-presidente da OAS José Adelmário Pinheiro Filho, conhecido como Léo Pinheiro e acusado de atuar no esquema de cartel e pagamento de propinas em licitações da Petrobrás , teria autorizado seus advogados a negociar um acordo de delação premiada com a força-tarefa da Lava Jato, segundo a revista Veja deste fim de semana.

De acordo com a publicação, o empresário estaria disposto a fornecer provas do envolvimento do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva no esquema que abasteceu partidos da base do governo – PT, PMDB e PP – e até da oposição, segundo delatores da Lava Jato. As tratativas ainda estariam ocorrendo, segundo a publicação. Os advogados do executivo, contudo, negam qualquer iniciativa neste sentido.

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Até o momento, a Lava Jato conta com 18 delatores, entre executivos, operadores de propina e ex-diretores da Petrobrás que revelaram um dos maiores escândalos da história do País e que teria implicado ao menos 15 partidos políticos e 50 políticos. 

Léo Pinheiro em audiência na Justiça Federal no início de maio. Ele se calou em depoimento. Foto: Reprodução.

Léo Pinheiro em audiência na Justiça Federal no início de maio. Ele se calou em depoimento. Foto: Reprodução.

Diálogos. Foram nas conversas telefônicas interceptadas de Léo Pinheiro que os investigadores encontraram referências a Lula pelo apelido de “brahma” e também ao senador mineiro Aécio Neves (PSDB-MG). Além disso, registros do telefone revelaram a “torcida” do empreiteiro pela reeleição de Dilma no ano passado.

Nem Aécio Neves nem Lula são investigados no âmbito da Lava Jato. O nome de Lula, apareceu nas mensagens da OAS e numa planilha de pagamentos da Camargo Corrêa. A empreiteira, investigada por envolvimento no esquema de corrupção da Petrobrás, doou e repassou ao Instituto Lula e à empresa de palestras do ex-presidente R$ 4,5 milhões. O Instituto Lula e a empresa do ex-presidente negam irregularidades nos repasses e afirmam que eles não tiveram relações com questões eleitorais nem com a Petrobrás. Afirmam, ainda, que foram referentes a serviços prestados e declarados.

Léo Pinheiro, por sua vez, é réu na Lava Jato acusado de atuar no núcleo empresarial do esquema que cartelizava licitações de obras da estatal e pagava propina para diretores da petrolífera indicados por partidos da base do governo – PMDB, PP e o PT.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE LÉO PINHEIRO:

“Sobre a reportagem da Veja deste final de semana, José Adelmário Pinheiro e seus defensores têm a dizer, respeitosamente, que ela não corresponde à verdade. Não há nenhuma conversa com o MPF sobre delação premiada, tampouco intenção nesse sentido.”

“A defesa de José Adelmario Pinheiro Filho, a cargo dos escritórios Roberto Lopes Telhada Advogados, Miranda Coutinho Carvalho & Advogados, Breda Advogados Associados e Cal Garcia Advogados, em conjunto com ele, esclarece, de uma vez por todas, que não existe banca de advogados em Brasília encarregada de defendê-lo, muito menos representá-lo junto a r. PGR; nenhum advogado tem delegação para negociar acordo de delação em seu nome em lugar algum. José Adelmário Pinheiro Filho acrescenta que segue única e exclusivamente a orientação dos advogados precitados, que atuam em sua defesa.”

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