Empreiteiro liga pagamento para lobista a patrocínio de corrida de carro

Empreiteiro liga pagamento para lobista a patrocínio de corrida de carro

PF atribui à Tomé Engenharia S/A e à Tomé Equipamentos e Transportes S/A, de Laércio Tomé, repasse de R$ 34.137.870.13 para as empresas JSM Engenharia e Terraplanagem LTDA, Rock Star Marketing LTDA e Rock Star Produções Comércio e Serviços, todas controladas por Adir Assad, condenado na Lava Jato

Julia Affonso, Mateus Coutinho, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

14 de junho de 2016 | 05h00

Foto: Reprodução

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O empresário Laércio Tomé, acionista fundador das empresas Tomé Engenharia e Tomé Equipamentos e Transportes, grupo de São Bernardo do Campo (SP), atribui a contratos de patrocínio da Stock Car parte do pagamento de R$ 34 milhões às empresas do lobista Adir Assad, um dos operadores de propina da Operação Lava Jato. O executivo negou que os valores sejam referentes à propina no esquema de corrupção instalado na Petrobrás entre 2004 e 2014.

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Adir Assad é apontado como operador de propinas na Diretoria de Serviços da Petrobrás, cota do PT no esquema. O lobista foi condenado a 9 anos e 10 meses de prisão por corrupção, lavagem de R$ 18 milhões e associação criminosa. Na sentença, o juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Lava Jato, classificou Assad como ‘profissional da lavagem de dinheiro’.

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Lércio Tomé prestou depoimento à PF em 18 de maio. Ele afirmou que conheceu Adir Assad em uma prova de Stock car – modalidade de automobilismo do Brasil criada em 1979 – realizada na pista de Interlagos, em São Paulo, em 2008. “Posteriormente fecharam contrato de patrocínio para exibir a marca da empresa nos carros, capacetes de provas de stock car, realizadas em diversos Estados do Brasil”, afirmou.

A PF atribui à Tomé Engenharia S/A e à Tomé Equipamentos e Transportes S/A o pagamento de R$ 34.137.870.13 para as empresas JSM Engenharia e Terraplanagem LTDA, Rock Star Marketing LTDA e Rock Star Produções Comércio e Serviços – controladas por Adir Assad – entre 1 de janeiro de 2009 e 31 de dezembro de 2012. A defesa do grupo contesta este valor e afirma que a Polícia Federal computou pelo menos R$ 11.070.888,19 em duplicidade.

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De acordo com o advogado Guilherme Cremonesi Caurin, que defende a Tomé, o contrato de patrocínio ‘tinha como escopo o patrocínio de equipe de corrida Stock Car em diversas temporadas (2009, 2010, 2011 e 2012)’. O criminalista afirma que o acordo previa a ‘exposição da marca Tomé no carro, uniforme, capacete do piloto’ e uma espécie de camarote, ‘com direito a diversas credenciais vips, serviço de buffet, visitação ao box do piloto, camisetas personalizadas, torcida organizada, bares, volta rápida na pista do autódromo’.

“O contrato de patrocínio com a Rock Star foi celebrado no início de 2009 e mantido até junho de 2012 quando a Tomé, surpreendida pela imprensa com notícias do envolvimento de Adir Assad na “CPI do Cachoeira” imediatamente rescindiu o contrato”, declarou o advogado.

Entre 1.º de janeiro de 2009 e 31 de dezembro de 2012, Laércio Tomé foi presidente da Tomé Equipamentos e Transportes S/A. Em depoimento, o executivo declarou que as duas empresas ‘mantinham contrato de patrocínio com as empresas do grupo Rock Star Marketing LTDA e Rock Star Produções Comércio e Serviços.

“Não se recorda de negociação com a empresa JSM Engenharia e Terraplanagem LTDA”, afirmou Laércio. “Fará levantamento contábil a fim de demonstrar as razões dos pagamentos no valor de R$34.137.870,13 a referidas empresas no período de 1 de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2012, conforme planilha que ora lhe é apresentada.”

Cartel. A Tomé foi citada, na Lava Jato, na delação premiada do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa.

O ex-dirigente da estatal declarou que a Tomé Engenharia ‘participava do cartel no âmbito da Petrobrás, mas com uma participação pequena, dado o porte da empresa’. Ele afirmou que o contato com a empresa ‘se dava por meio de Laércio Tomé e Oliveira, especialmente com o último’.

“Acredita ser provável que tenha cabido ao declarante a indicação de Youssef aos representantes da Tomé para que efetuassem ao pagamento de vantagem indevida relativo aos contratos obtidos”, relatou Paulo Roberto Costa.

À PF, Laércio Tomé sustentou que Alberto Youssef esteve uma única vez em sua empresa para ‘oferecer contrato projeto para construção de ferrovia na Argentina e parque eólico no Brasil’. O empresário disse que não fechou negócio e nem teve outro encontro com o doleiro.

“Os valores movimentados pela empresa nunca tiveram o envolvimento de doleiros; que os pagamentos efetuados pelas empresas do declarante eram realizados pelo sistema bancário nacional e devidamente contabilizados; que efetivamente a empresa manteve contratos de prestação de serviço com a Petrobrás”, afirmou.

“Em nenhum dos contratos foi pago qualquer valor para se obter vantagem indevida; que afirma que os valores relativos à planilha apresentada, totalizando o total de R$34.137.870,13, não foram pagos, a titulo de vantagem indevida, para a Petrobrás.”

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