Empreiteiro diz que propina virou ‘rotina’ na Petrobrás

Empreiteiro diz que propina virou ‘rotina’ na Petrobrás

Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia, delator, afirmou a juiz da Lava Jato que pagou valores ilícitos a Renato Duque, ligado ao PT, e a Paulo Roberto Costa, ligado ao PP, em contratos da estatal; veja o vídeo

Redação

11 de setembro de 2015 | 19h06

Ricardo Pessoa. Foto: Reprodução

Ricardo Pessoa. Foto: Reprodução

Por Julia Affonso, Ricardo Brandt e Mateus Coutinho

O dono da empreiteira UTC, Ricardo Pessoa, confessou em depoimento à Justiça Federal, nesta sexta-feira, 11, que pagou propina para o ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque e ao ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa – cotas do PT e do PP, respectivamente, no esquema de cartel e corrupção na estatal, que inclui também o PMDB, no comando da Diretoria Internacional.

O juiz questionou Pessoa se ele havia conversado com Duque uma vez ou mais de uma vez. “Conversei com o diretor Duque muitas vezes”, respondeu o empresário. “Mas esses assuntos (propina) poucas vezes porque passou a ser uma coisa rotineira, automática.”

Renato Duque está preso em Curitiba, base da Lava Jato. As audiências da 13ª Vara Criminal Federal, onde tramitam as ações sobre propinas na estatal, são filmadas. Os relatos das testemunhas e dos acusados  são gravados em áudio e vídeo. No depoimento do empreiteiro, porém, a câmera aponta para o teto – a pedido da defesa de Pessoa, o rosto do executivo não é mostrado a partir do momento em que ele começa a delatar.

“Pagou (a UTC) propina a Paulo Roberto Costa, mas não diretamente, e siam atraves do senhor Alberto Youssef e senhor Janene (José Janene, ex-deputado do PP, morto em 2010). Duque paguei a Pedro Barusco (ex-gerente de Engenharia da Petrobrás) ao senhor João Vaccari (ex-tesoureiro do PT)”, afirmou Pessoa.

+ Moro abre sigilo de delação de empreiteiro sobre propina a Dirceu e ao PT

Youssef diz que disputa no PP por dinheiro da Lava Jato foi levada ao Planalto

O empreiteiro foi ouvido pelo juiz federal Sérgio Moro – que conduz os processos da Operação Lava Jato, em Curitiba – em ação penal em que são réus o presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, e executivos do grupo.

“O senhor conversou diretamente com o senhor Renato Duque sobre propinas?” questionou o magistrado.

“Conversei e ele sempre me encaminhou para o senhor João Vaccari e Barusco”, respondeu Ricardo Pessoa.

“Mas ele encaminhou para assunto de propina?”, insistiu Moro. “Sim senhor”, confirmou Pessoa.

PF avança sobre ex-ministros do primeiro escalão de Lula e Dilma

PF pede ao Supremo para ouvir Lula no inquérito da Lava Jato

O empreiteiro fechou acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República no âmbito dos processos que correm no Supremo Tribunal Federal (STF), envolvendo políticos com foro privilegiado.

“Por que pagava-se propinas para esses agentes da Petrobrás?, indagou o juiz.

“Pelo contrato, pagava-se propina para se obter o contrato, para se ter a continuidade dele, da maneira mais correta, mais clara, mais calma, mais sem dificuldades”, respondeu o empreiteiro delator.

Nesta sexta-feira, 11, os primeiros termos de delação de Ricardo Pessoa que não envolvem alvos com foro privilegiado tiveram o sigilo afastado pela Justiça Federal, em Curitiba.

O juiz quis saber se parcela dos valores de propinas para as diretorias de Serviços e Abastecimento era sempre destinada à parte política.

“Sempre, sempre”, respondeu Pessoa.

Tudo o que sabemos sobre:

operação Lava JatoRicardo Pessoa

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.