Empreiteiro diz que ex-assessor de Lula pagou por obras do Sítio

Empreiteiro diz que ex-assessor de Lula pagou por obras do Sítio

Carlos Rodrigues do Prado prestou depoimento ao juiz federal Sérgio Moro nesta segunda-feira, 19

Julia Affonso e Luiz Vassallo

19 Fevereiro 2018 | 19h41

O construtor Carlos Rodrigues do Prado afirmou ontem, em depoimento ao juiz Sérgio Moro, que Rogério Aurélio Pimentel, ex-assessor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pagou pela obra do sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP), cuja propriedade é atribuída pelo Ministério Público Federal ao petista. Ele disse que, atendendo a Pimentel, emitiu notas fiscais da obra em nome do empresário Fernando Bittar, que figura formalmente como dono do imóvel.

Segundo Prado, Pimentel aprovou os valores sem discussão e sem pedido de “desconto” em posto de gasolina próximo à propriedade rural. Prado falou como testemunha de acusação em ação penal contra Lula.

O construtor – que é dono de uma pequena empreiteira, a Rodrigues do Prado – afirmou ter cobrado R$ 163 mil, divididos em quatro vezes, para fazer a obra em 2010. De acordo com ele, a reforma teve início em dezembro daquele ano e “rolou ali uns 30 dias, mais ou menos”.

Prado afirmou que foi chamado pelo engenheiro Frederico Barbosa, ligado à Odebrecht, para terminar a obra de dois cômodos e de uma guarita do sítio. Segundo ele, o engenheiro o apresentou a Pimentel – ex-assessor especial da Presidência durante o governo Lula e também réu na ação sobre o sítio.

Neste processo criminal, o ex-presidente é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro. “Eu não sabia nem o nome dele (Pimentel). Depois que eu fiquei sabendo que o Aurélio é uma pessoa que negociava ou acertava os negócios da obra. Inicialmente, a única pessoa que eu conhecia lá era o seu Frederico (Barbosa)”, disse.

Prado afirmou que emitiu notas fiscais a Bittar a pedido da Odebrecht. De acordo com ele, o ex-assessor de Lula enviou um office-boy com os dados de Bittar para que constassem nos recibos. Segundo delatores da Odebrecht, a fim de ocultar a titularidade do imóvel, o advogado Roberto Teixeira, defensor de Lula e também réu na ação, pediu à empreiteira para que as notas fiscais das obras fossem emitidas para Bittar.

Denúncia. Prado depôs como testemunha pela primeira vez na ação penal contra o ex-presidente, que entrou na fase de instrução – produção e análise de provas – no dia 5. Suas declarações já haviam sido tomadas pela Polícia Federal nas investigações e constam da denúncia da força-tarefa da Lava Jato.

O caso envolvendo o sítio resultou na terceira denúncia contra Lula na Lava Jato. Segundo a acusação, Odebrecht, OAS e Schahin, por meio do pecuarista José Carlos Bumlai, gastaram R$ 1,02 milhão em obras no sítio em troca de contratos com a Petrobrás. O imóvel foi comprado no fim de 2010, quando Lula deixava a Presidência.

 

COM A PALAVRA, A DEFESA DE LULA

“Carlos Rodrigues Prado afirmou que jamais teve conhecimento de qualquer relação entre contratos da Petrobras e a reforma que disse ter realizado no sítio de Atibaia, que é a real acusação feita pelo Ministério Público contra o ex-Presidente Lula.

A testemunha também não fez referência a qualquer atuação de Lula em relação a essa reforma, que, se realizada, foi incorporada à propriedade de bem imóvel que pertence à família Bittar.

O depoimento dessa testemunha, portanto, reforça a improcedência da acusação feita contra Lula e o “lawfare” praticado contra o ex-Presidente, que consiste no mau uso e no abuso das leis e dos procedimentos jurídicos para fins de perseguição política.

CRISTIANO ZANIN MARTINS”, advogado de defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

COM A PALAVRA, O ADVOGADO JOÃO VICENTE AUGUSTO NEVES, QUE DEFENDE ROGÉRIO AURÉLIO PIMENTEL

“O depoimento apresentou uma série de contradições com o depoimento do Frederico Barbosa. Ele não diz ao certo quantas vezes esteve na obra, depois não diz ao certo onde encontrou com o Rogério. Ele alega ter encontrado com o Rogério quatro vezes para receber. O Rogério nega isso, que nunca encontrou com ele para fazer nem um tipo de pagamento. Ele se confunde na hora de descrever o Rogério. Ele não descreve fisicamente como era essa pessoa que se encontrou com ele para entregar quatro envelopes com uma quantia considerável de dinheiro. O Rogério nega que tenha encontra com ele para fazer qualquer repasse.”

COM A PALAVRA, ODEBRECHT

“A Odebrecht continua colaborando com a Justiça no Brasil e nos países em que atua. Está empenhada em ajudar a esclarecer qualquer dúvida sobre os relatos apresentados por seus executivos e ex-executivos. O acordo de colaboração da Odebrecht já se provou eficaz, inclusive com desdobramento em novas investigações e processos judiciais no Brasil e no exterior. A Odebrecht está comprometida a combater e não tolerar a corrupção, qualquer que seja a sua forma.”

Mais conteúdo sobre:

Lilaoperação Lava Jato