Empreiteiro da Andrade Gutierrez ganha domiciliar com tornozeleira

Empreiteiro da Andrade Gutierrez ganha domiciliar com tornozeleira

Otávio Marques de Azevedo, preso desde 19 de junho na Lava Jato, fechou acordo de delação premiada e vai para casa sob monitoramento eletrônico

Ricardo Brandt e Fausto Macedo

05 de fevereiro de 2016 | 17h13

Otávio Marques de Azevedo foi preso em 19 de junho de 2015. Foto: Reprodução

Otávio Marques de Azevedo foi preso em 19 de junho de 2015. Foto: Reprodução

O juiz federal Sérgio Moro autorizou nesta sexta-feira, 5, prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica, para o empresário Otávio Marques de Azevedo, da empreiteira Andrade Gutierrez. A mesma medida foi concedida ao executivo da empreiteira Elton Negrão.

Otávio Azevedo e Elton Negrão fecharam acordo de delação premiada com a força-tarefa da Operação Lava Jato. O acordo ainda não foi homologado.

O governo e o PT estão apreensivos com a delação premiada de Azevedo. Segundo a revista Veja, nos chamados “anexos” da delação, que resumem os tópicos principais da colaboração, ele falou sobre pressões por dinheiro para campanha da presidente Dilma Rousseff em 2014 que teriam partido de Edinho Silva, hoje ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, e de Giles Azevedo, ex-chefe de gabinete e atual assessor especial da presidente. Os dois teriam ameaçado a empresa, que, caso não colaborasse mais na campanha, perderia seus negócios com o governo federal em caso de vitória de Dilma. O empresário também pode revelar segredos sobre a compra de participação societária da Gamecorp, empresa de Fabio Luiz Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula, pela antiga Telemar que tem a Andrade entre os seus controladores.

Azevedo e Negrão foram presos no dia 19 de junho de 2015 na Operação Erga Omnes, braço da Lava Jato que pegou os maiores empreiteiros do País – no mesmo dia foi preso Marcelo Bahia Odebrecht.

Em troca da liberdade que perderam há 228 dias, Otávio Azevedo e Elton Negrão decidiram contar o que sabem do esquema de propinas instalado na Petrobrás e nas obras de Angra 3.

Nesta sexta-feira, 5, o juiz Sérgio Moro autorizou Azevedo e Negrão a serem transferidos do Complexo Médico-Penal de Curitiba, base da missão Lava Jato, para suas residências, mas sob vigilância eletrônica.

Outras medidas restritivas foram impostas aos empresários. Eles não podem deixar o País.

Formalmente, o empreiteiro e o executivo são acusados pelo Ministério Público Federal pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro em contratos da Andrade Gutierrez com a estatal petrolífera.

O Estado tentou falar com o advogado da Andrade Gutierrez, o criminalista Celso Vilardi, mas ele não foi localizado.

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