Empreiteiros da Abismo se entregam à PF

Empreiteiros da Abismo se entregam à PF

Diretor da Construbase Genesio Schiavinato da Silva Júnior e o empreiteiro ligado à Construcap Erasto Messias da Silva Júnior foram alvo de mandados de prisão temporária na 31ª fase da Lava Jato

Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo

05 de julho de 2016 | 11h30

Foto: André Dusek/Estadão

Foto: André Dusek/Estadão

Atualizada às 18h19

Dois alvos da Operação Abismo, 31ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada na segunda-feira, 4, se entregaram nesta terça-feira, 5, à Polícia Federal, em Curitiba. A pedido da Procuradoria da República, o juiz federal Sérgio Moro expediu mandados de prisão temporária – válida por 5 dias – contra o diretor da Construbase Genesio Schiavinato da Silva Júnior e contra Erasto Messias da Silva Júnior.

O ex-vereador do PT em Americana Alexandre Romano, um dos delatores da Lava Jato, apontou Genésio Schiavinato Júnior ‘como contato na Construbase para os acertos referentes a transferências
de valores dissimuladas por contratos falsos ou superfaturados’ ao ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira. O executivo da Construbase também é apontado pelo dono da Carioca Engenharia, Ricardo Pernambuco Júnior, e pelo executivo da empreiteira Luiz Fernando dos Santos ‘omo representante da Construbase nos acertos ilícitos envolvendo fraude à licitação para a obra vencida pelo Consórcio Novo Cenpes’. Genesio Schiavinato da Silva Júnior se entregou à PF pela manhã.

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Alexandre Romano declarou ainda que, em 2010, Paulo Ferreira indicou a Construtora Ferreira Guedes, como integrante do grupo Construcap. O delator disse que foi feito contato com o diretor-geral Erasto Messias da Silva Júnior e ‘foram realizados diversos contratos superfaturados entre os anos de 2010 e 2011, implicando operações de cerca de R$ 700 mil, dos quais 60% foram transmitidos a Paulo Ferreira’. Erasto Messias da Silva Júnior se entregou durante a tarde.

Segundo a Procuradoria da República, o esquema envolveu diversas empresas que pagaram mais de R$ 39 milhões em vantagens indevidas para empresa participante do certame, para Diretoria de Serviços e para o PT.

Com base nas investigações e também em uma das delações, a do ex-gerente de Engenharia da Diretoria de Serviços, Pedro José Barusco, a força-tarefa da Operação Abismo constatou que a divisão ocorreu assim: dos R$ 39 milhões de propinas no Cenpes, R$ 18 milhões foram para a WTorre, R$ 4 milhões para os ex-funcionários da Petrobrás Renato Duque e Pedro Barusco e R$ 16 milhões para a Diretoria de Serviços da Petrobrás. Desses R$ 16 milhões, R$ 8 milhões foram destinados ao PT e R$ 1 milhão para Paulo Ferreira – parte ele usou para pagamento de blogs, serviços de internet e para a escola de samba.

A Petrobrás, em 2007, submeteu à licitação três grandes obras, entre elas, o Cenpes. A OAS, a Carioca Engenharia, a Construbase Engenharia, a Schahin Engenharia e a Construcap CCPS Engenharia, integrantes do Consórcio Novo Cenpes, ficaram com a obra do Centro.

Segundo a investigação, houve ‘um imprevisto’ na licitação do Cenpes, pois a WTorre, que não havia participado dos ajustes, apresentou proposta de preço inferior em cerca de R$ 40 milhões a menos. As empresas que formavam o Consórcio Novo Cenpes teriam acertado, então, propina de R$ 18 milhões para que a WTorre abandonasse o certame, permitindo que o Consórcio renegociasse o preço com a Petrobras. Concretizado o acerto, o Consórcio Novo Cenpes celebrou, em 21 de janeiro de 2008, contrato com a Petrobras no valor de R$ 849.981.400,13.

A reportagem ligou para o escritório do advogado Fernando José da Costa, que representa Genésio Schiavinato Júnior, mas foi informada que defensor estava no Paraná. O espaço está aberto para manifestação.

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