Empreiteiro chega em casa de tornozeleira eletrônica

Eduardo Leite, vice presidente da Camargo Corrêa, fez delação premiada e obteve autorização judicial para cumprir prisão domiciliar; ele denunciou tesoureiro do PT no esquema de propinas na Petrobrás

Redação

24 de março de 2015 | 18h55

Por Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo

Depois de 130 dias atrás das grades, o vice-presidente da Camargo Corrêa, Eduardo Leite, deixou nesta terça feira, 24, a Custódia da Polícia Federal em Curitiba (PR), base da Operação Lava Jato, e viajou para São Paulo, onde reside. Ele vai ficar no mínimo um ano em prisão domiciliar, sob monitoramento, usando uma tornozeleira eletrônica.

Eduardo Hermelino Leite, da Camargo Corrêa. Foto: Reprodução/Polícia Federal

Eduardo Hermelino Leite, da Camargo Corrêa. Foto: Reprodução/Polícia Federal

 

É o primeiro empreiteiro que deixa a Custódia da PF. Outros executivos de gigantes da construção continuam presos.
Leite, réu em ação penal da Lava Jato por corrupção e lavagem de dinheiro, fez delação premiada e contou detalhes do esquema de cartel e propinas no âmbito da Petrobrás. Ele apontou o tesoureiro do PT João Vaccari Neto como beneficiário de pagamentos ilícitos.

O vice da Camargo Corrêa foi preso no dia 14 de novembro pela Operação Juízo Final, sétima etapa da Lava Jato. Em fevereiro ele se dispôs a fazer delação premiada para se livrar da carceragem da PF.

O acordo prevê que Eduardo Leite pode até sair de casa, mas num raio máximo de 50 metros. Ele terá de comparecer a todos os atos processuais para depor, sempre que intimado.

O vice presidente da Camargo Corrêa declarou à força tarefa da Operação Lava Jato que o tesoureiro do PT o procurou “por volta de 2010? e pediu R$ 10 milhões. O relato de Eduardo Leite foi tomado no âmbito da delação premiada que ele firmou com os procuradores da República e os delegados da Polícia Federal que conduzem a grande investigação sobre cartel e fraudes na Petrobrás.

O executivo da empreiteira afirmou que, naquele ano, Vaccari lhe disse que “tinha conhecimento, por meio da Área de Serviços da Petrobrás, que a Camargo Corrêa estava atrasada no pagamento das propinas relativas a contratos (com a Petrobrás”.

Por meio de seu advogado Luiz Flávio Borges D’Urso, o tesoureiro do PT rechaça as suspeitas sobre sua conduta. Segundo o criminalista, todas as arrecadações obtidas por Vaccari para o PT foram feitas dentro da lei e declaradas à Justiça Eleitoral.

O Ministério Público Federal manifestou-se favorável à concessão da prisão domiciliar para Eduardo Leite, diante da extensão da delação que fez.

COM A PALAVRA, A DEFESA.

O advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, que defende Eduardo Leite, disse que o empreiteiro “está muito abatido”. Experiente criminalista, Mariz de Oliveira é contra a delação premiada. “Não sou a favor da delação, mas entendo que ela era a única saída para a liberdade (de Eduardo Leite). Não me refiro especificamente às ordens de prisão decretadas pelo juiz Sérgio Moro (que conduz as ações da Lava Jato). Mas a delação poderá se tornar porta de entrada e porta de saída das prisões”, alerta Mariz de Oliveira. “Prende-se para delatar e delata-se para sair da cadeia.”

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