Embelezar e enriquecer

Embelezar e enriquecer

José Renato Nalini*

10 de agosto de 2021 | 12h00

José Renato Nalini. FOTO: WERTHER SANTANA/ESTADÃO

A pandemia é um curso de aprimoramento do ser humano. Existem aqueles que tiram proveito da lição. Outros vão “repetir de ano”. Não souberam fazer dessa crise uma oportunidade para crescimento interior. Só levarão os maus efeitos da peste.

A paralisação da economia informal levou muitos brasileiros à miséria. Aqueles que saem pela manhã à procura de trabalho para ter o que almoçar, sabem exatamente do que estou falando.

Todavia, é preciso reagir. E procurar fórmulas de subsistência ao alcance de suas competências. Sem prejuízo de também investir em aprendizado de outras práticas suscetíveis de se converterem num ganho de vida.

Um setor que está em plena ascensão e que precisa de braços e de inteligência é o do cultivo das flores. O Brasil já é um dos quinze maiores produtores mundiais de plantas ornamentais. São cerca de oito mil produtores, que cultivam mais de 2,5 mil espécies em 16,5 mil variedades. Há um Instituto Brasileiro de Floricultura – Ibraflor, que informa ter sido de 9,6 bilhões o faturamento em 2020.

O cultivo das flores é uma atividade prazerosa. Quem não gosta de estar junto a algo vivo, que tem colorido e perfume?

São Paulo é a unidade federativa que mais consome essa mercadoria que a todos agrada. Um presente vivo é a mais carinhosa mensagem que alguém pode endereçar a outrem. Vasos com plantas ornamentais não são apenas estéticos. Fazem bem à alma. É, às vezes, o único possível contato de alguém com a natureza.

Dedicar-se ao cultivo de qualquer espécie da exuberante flora brasileira é mais do que hobby. É um lenitivo para as angústias das quais ninguém consegue se livrar, um derivativo para as péssimas notícias com as quais somos embalados de madrugada à noite.

Para quem está sem opções, pensar em se dedicar à floricultura é um caminho promissor. Esmerar-se em produzir mudas saudáveis, aprender a cuidar delas. Algo que pode ser feito em pequeno espaço, talvez seja a saída para aqueles que hoje têm a oferta de empregos drasticamente reduzida.

Quem quiser inspirar-se, pode visitar Holambra, na estrada Campinas-Mogi-Mirim, que é a Capital Nacional das Flores. Ou visitar o Ceagesp, em São Paulo, na Vila Leopoldina. Todas as terças e sextas-feiras há uma exposição magnífica da diversidade colorida de nossas flores. É um passeio com o qual se encantam os estrangeiros em visita ao Brasil. Mais informações no Guia Ceagesp – 333.cagesp.gov.br/guia-ceagesp.

A Capital paulista conta com um corredor florido na Avenida Dr. Arnaldo, entre os Cemitérios do Araçá e do Santíssimo Sacramento. As bancas ficam abertas vinte e quatro horas. E no Largo do Arouche é tradicional a venda de flores bem defronte à sede da Academia Paulista de Letras e do clássico restaurante “La Casserole”.

Quem quiser começar pode obter informações detalhadas no portal da Secretaria da Agricultura e Abastecimento – www.agricultura.sp.org.br.

Ali estão disponíveis dados para quem quer começar um jardim, ainda que de reduzidas dimensões.

O mercado crescente da jardinagem e paisagismo é uma senda promissora para a juventude que não encontra mais, com facilidade, aquelas ocupações clássicas em escritórios ou empresas. Quem se animar encontra uma série de sugestões gratuitas, como a promoção patrocinada pela STIHL, chamada Pró-Jardim. Ela oferece conceitos de jardinagem, a áa como negócio, além de dicas e orientações técnicas. Mais informações em www.jardimdasideias.com.b/projardimstihl.

Outra boa proposta é recorrer aos mais de 120 cursos oferecidos pela FGV, os mais de cem cursos do SEBRAE, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, o SENAC e a Escola Virtual da Fundação Bradesco. Hoje, só não aprende novas técnicas e não adquire conhecimentos novos quem não quer. Tudo se consegue mediante um clique e as oportunidades estão abertas para quem deixar o comodismo e se aventurar por novas paragens profissionais.

Os endereços eletrônicos facilitam a busca e permitem a filtragem daquilo que é disponível, até que o interessado encontre o que lhe convenha. Tente buscar em https://www.sebrae.com.br/sites/Porta-sebrae/cursosonline, em https://educacao-executiva.fgv.br/cursos/gratuitos, http://www1.sp.senac;br/hotsites/blogs/covid19/cursos.2/ ou em 333.ev.org.br. Quem de fato investir em si mesmo colherá resultados. Aguardar que o governo resolva a nossa vida, já vimos – não dá certo!

*José Renato Nalini é reitor da Uniregistral, docente da pós-graduação da Uninove e presidente da Academia Paulista de Letras – 2021-2022

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