Em um ano repleto de desafios, turismo retoma suas atividades

Em um ano repleto de desafios, turismo retoma suas atividades

Marcos Arbaitman*

23 de dezembro de 2020 | 06h30

Marcos Arbaitman. FOTO: DIVULGAÇÃO

Ele nem chegou, mas já traz consigo uma forte esperança para todo o mundo. Estou falando de 2021 que certamente será lembrado como o ano em que houve a maior vacinação em massa jamais vista no planeta. Nunca na história da humanidade ocorreu um processo de imunização tão extenso como o que há de vir.

Ao redor do mundo, todos os setores econômicos estão vibrando com essas notícias, mas nenhum deles mais que o segmento do turismo que, ao lado da aviação comercial, foi um dos mais atingidos pela pandemia do novo coronavírus.

Em tempos normais, o setor de turismo gera 7,2 milhões de postos de trabalho diretos e indiretos e 8% do Produto Interno Bruto (PIB), algo em torno de R$ 530 bilhões. Mas o impacto da pandemia sobre o nosso segmento foi imenso. Para se ter uma ideia, o estudo “Impacto econômico do Covid-19: propostas para o turismo”, elaborado FGV Projetos,  estima que  o Produto Interno Bruto (PIB) do setor  turístico brasileiro este ano será 46,9% menor do que em 2019, ficando em $ 143,8 bilhões.

Desde o início da crise sanitária, acreditei que só a vacina poderia trazer a normalidade para o nosso segmento, principalmente para o turismo internacional. Depois de meses de total paralisação, nosso setor começou a voltar lentamente à ativa no início do segundo semestre, quando percebemos que as pessoas passaram a fazer viagens a lugares próximos.

Neste final de ano, as viagens curtas, principalmente que podem ser feitas de carro, se intensificaram.  Os destinos preferidos são Rio de Janeiro e Foz do Iguaçu. O aumento dessa modalidade foi tanto, que está impactando a locação de veículos. Tenho amigos que possuem sítios na região de Itaipava, no Rio de Janeiro, que não encontram carros para alugar.

Parte dos turistas, no entanto, vem optado por viajar de avião para destinos mais distantes como Salvador, Recife e Manaus. Graças a este movimento, nossa agência, a Maringá Turismo, faturou em novembro 52% do valor auferido neste mesmo em 2019.

Para atender à demanda, os hotéis estão seguindo todos os protocolos sanitários definidos pelo Conselho Mundial de Viagens e Turismo e os governos estaduais.  Entre os exemplos de protocolos de higiene, podemos dizer que os hotéis têm feito a desinfecção completa da unidade após a saída do hóspede. E, durante sua permanência, os funcionários limpam os apartamentos três vezes por dia para evitar a contaminação pelo coronavírus. Durante o café da manhã, a entrega de kits individuais substituiu os tradicionais bufês para evitar aglomerações em torno das mesas de serviço. Nas demais refeições, os alimentos e bebidas são entregues para consumo do hóspede na mesa, impedindo a formação de filas.

Além do turismo de lazer, o movimento do turismo corporativo está voltando aos poucos, porque as corporações não podem parar, precisam se mostrar, vender e crescer. E a área de eventos também se reinventou neste período, tendo realizado eventos virtuais ou híbridos. Por exemplo, a Central de Eventos, empresa do nosso grupo, realizou convenções online para empresas do setor farmacêutico em plena pandemia.

Mas normalidade só voltará com a vacinação em massa da população. E, neste aspecto, temos recebido excelentes notícias. O presidente Jair Bolsonaro acaba de lançar o Plano Nacional de Vacinação contra a Covid-19, que prevê numa primeira etapa a vacinação de 50 milhões de pessoas, que compõem o grupo prioritário.

O governo federal já está em negociação para a compra das doses com várias empresas. Entre elas estão a  Oxford/AstraZeneca, com produção na Fiocruz, e a Sinovac, produzida pelo Instituto Butantan, a Pfizer/BioNTech, a Janssen, a Moderna, a russa Gamaleya e a Moderna. O governo espera ainda a as vacinas do consórcio internacional da Covax,

Aqui em São Paulo, a imunização contra a covid-19 deverá começar em 25 de janeiro, como anunciou o governador João Dória, com doses da vacina Coronavac,  produzidas pela Sinovac e o Butantan.

Fora essas iniciativas, existem mais de 160 outros estudos para o desenvolvimento de vacinas contra o coronavírus, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Desta forma, acreditamos que já no primeiro semestre de 2021, teremos boa parte da população mundial protegida. E até o final do ano, a imunização deverá chegar às pessoas de todos os países, fazendo com que o mundo volte a funcionar da maneira que conhecemos.

Quando terminar a crise sanitária, esperamos que o Brasil trabalhe no sentido explorar todo o seu potencial turístico, o que não ocorre até hoje. Por ano, o País atrai pouco mais de 5 milhões de turistas estrangeiros ante os 73 milhões que visitam anualmente a França e os 54 milhões que passeiam pela Itália. Quando o Brasil descobrir o turismo, o setor certamente vai empregar 14 milhões de pessoas.

*Marcos Arbaitman é presidente do Grupo Arbaitman, formado pelas empresas Maringá Turismo, Central de Eventos e Lemontech. Foi secretário de Esportes e Turismo nas gestões dos governadores Mário Covas e Geraldo Alckmin

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