Em um ano, Moro condena empreiteiros de esquema na Petrobrás

Em um ano, Moro condena empreiteiros de esquema na Petrobrás

Maioria das ações penais contra representantes do núcleo empresarial acusado de fraudar as licitações na estatal detidos na Operação Juízo Final, 7ª fase da Lava Jato, em novembro do ano passado, já levou a sentenças de até 19 anos de prisão

Mateus Coutinho, Fausto Macedo e Julia Affonso

15 de dezembro de 2015 | 05h00

 

Sérgio Moro. Foto: Fernando Bizerra Jr

Sérgio Moro. Foto: Fernando Bizerra Jr

Com a sentença desta segunda-feira, 14, condenando o dono da Engevix Gerson de Mello Almada a 19 anos de prisão, apenas os executivos da UTC, incluindo o dono da empresa Ricardo Pessoa, não foram condenados dentre os empreiteiros que foram alvos de denúncias decorrentes 7ª fase da operação Lava Jato em 17 de novembro de 2014, que teve como alvo o núcleo empresarial do esquema de corrupção na Petrobrás.

Menos de um ano e um mês após serem presos pela operação, representantes das cúpulas da OAS, Mendes Júnior, Galvão Engenharia e Camargo Corrêa, acusados de atuar em cartel para fraudar as licitações da Petrobrás foram condenados a penas de pelo menos 13 anos cada um.

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Em julho, Dalton Avancini e Eduardo Leite, ex-executivos da Camargo Corrêa foram condenados a 15 anos e dez meses de prisão, e devido ao acordo de colaboração passaram a cumprir pena em regime domiciliar. Em agosto, foi a vez do ex-presidente da OAS, José Adelmário Pinheiro Filho, conhecido como Leo Pinheiro, ser condenado a 16 anos e quatro meses de prisão.

Em novembro, Sérgio Cunha Mendes, ex-vice-presidente da Mendes Júnior, foi sentenciado a 19 anos e quatro meses e agora em dezembro Dario de Queiroz Galvão Filho, que foi presidente do Conselho de Administração da Galvão Engenharia, pegou 13 anos e dois meses de prisão. Assim como Gerson Almada, todos os executivos foram condenados pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Dos detidos na 7ª fase da operação, somente Pessoa, da UTC, e Dalton Avancini e Eduardo Hermelino Leite, ex-executivos da Camargo Corrêa, firmaram acordos de delação premiada com o Ministério Público Federal e colaboram com as investigações. Os demais empreiteiros, na maioria dos casos, se afastaram de suas empresas enquanto ainda respondiam às ações penais.

Núcleo empresarial. Com isso, do bloco de cinco denúncias oferecidas contra os principais empreiteiros do País em dezembro do ano passado, apenas a parte relativa à UTC ainda não foi concluída. Ainda assim, os resultados até agora permitiram à operação desarticular o cartel de empreiteiras que atuava na Petrobrás e avançar no rastreamento dos recursos desviados da estatal, chegando a novos funcionários públicos e executivos e até aos políticos que teriam se beneficiado do esquema.

Depois deste grupo de empresas, a Lava Jato avançou sobre os executivos da Odebrecht e da Andrade Gutierrez, as duas maiores empreiteiras do País e cujos presidentes, Marcelo Odebrecht e Otávio Azevedo, respectivamente, foram presos em 19 de junho deste ano. Atualmente, ex-dirigentes da Odebrecht são alvos de duas ações penais na Justiça Federal no Paraná e os ex-dirigentes da Andrade são alvo de uma ação. Assim como os demais empreiteiros, eles são acusados de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa dentro do esquema de corrupção na Petrobrás.

Diferente do núcleo empresarial, o núcleo político do esquema é alvo de investigações perante o Supremo Tribunal Federal devido ao foro privilegiado.

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