Joesley faz três depoimentos à PF e à Procuradoria e ainda tem de explicar seguranças armados

Joesley faz três depoimentos à PF e à Procuradoria e ainda tem de explicar seguranças armados

Empresário falou a investigadores das operações Bullish e Greenfield; depois, foi ouvido pela corregedoria do Ministério Público sobre a suposta corrupção do procurador Ângelo Goulart

Fabio Serapião, de Brasília

21 de junho de 2017 | 21h03

Empresário Joesley Batista deixa a sede da PF em Brasília nesta quarta-feira, 21. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) começava nesta quarta-feira, 21, o julgamento da validade da homologação da sua delação e dos executivos de sua empresa, Joesley Batista prestava depoimentos na Polícia Federal e no Ministério Público. A primeira oitiva, na PF, teve início de manhã e se estendeu até por volta das 17 horas. O empresário falou para os investigadores das operações Bullish e Greenfield.

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No segundo depoimento, o acionista do grupo J&F foi ouvido pela corregedoria do Ministério Público sobre a suposta corrupção do procurador Ângelo Goulart, preso na Operação Patmos. O empresário ainda teve de explicar à PF a utilização de policiais civis paulistas armados em sua segurança particular.

Na PF, Joesley cumpriu o mandado de condução coercitiva expedido pela Operação Bullish, em maio, mas que não havia sido cumprido porque ele se encontrava no exterior. A Bullish investiga irregularidades em empréstimos de R$ 8,1 bilhões do BNDES para a JBS. O depoimento foi tomado na Superintendência da PF em Brasília e também teve a participação dos investigadores da Operação Greenfield, que apura aportes de fundos de pensão na Eldorado Celulose, empresa da J&F.

Sobre os crimes apurados na Bullish, Joesley afirmou em delação que o ex-ministro Guido Mantega era seu interlocutor para os assuntos do BNDES, mas que os valores abasteceram uma conta em nome dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT. Segundo o delator, a propina era para agilizar o trâmite das negociações e liberações de valores. Os petistas negam.

Joesley também afirmou em delação que o investimento de R$ 550 milhões dos fundos de pensão Petros e Funcef na Eldorado Celulose rendeu pagamento de propina de 1% para os dirigentes dos fundos e outros 1% para o PT, recebidos pelo então tesoureiro João Vaccari Neto. Os valores eram creditados, segundo o delator, na conta corrente que mantinha com o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. O caso é investigado na Greenfield.

Nos dois casos, os investigadores tentam aprofundar a investigação para saber se as afirmações de Joesley no acordo de colaboração são verdadeiras. Embora aponte os pagamentos indevidos no caso dos fundos de pensão e no BNDES, o empresário não assumiu na delação possíveis crimes envolvendo as análises financeiras utilizadas como base em aporte dos fundos e as análises de auditorias independentes no caso dos empréstimos do banco estatal. As duas investigações, além da corrupção, apuram possíveis irregularidades praticadas ao longo dos processos internos para liberação dos valores.

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À época da deflagração da Greenfield, o juiz Vallisney de Souza, amparado em informações do Ministério Público Federal, assinalou a existência de “desvio de recursos em razão, entre outras condutas, do sobrepreço dos ativos avaliados dos fundos de pensão beneficiando as empresas contempladas com os investimentos questionados”.

“Consta dos autos que essas aquisições de cotas do FIP, nos casos investigados, foram precedidas de avaliações econômico-financeiras (valuations) irreais e tecnicamente irregulares, tendo como objetivo real superestimar o valor dos ativos da empresa, aumentando, de forma artificial, a quantia total que o próprio fundo de pensão precisa pagar para adquirir a participação acionária indireta na empresa”, afirmou o juiz em despacho.

Seguranças e procurador. Depois de falar para os investigadores da Greenfield e Bullish, Joesley ainda teve de dar explicações na PF sobre os dois seguranças particulares que o acompanhavam. A PF descobriu que os dois eram policiais civis do Estado de São Paulo e estavam armados. O carro do empresário também foi vasculhado e todas as informações coletadas serão enviados à Corregedoria da Polícia Civil paulista.

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No fim da tarde, Joesley seguiu para a sede do Ministério Público do Distrito Federal, onde falou sobre os anexos de sua colaboração premiada em que narra pagamentos para o procurador da República Ângelo Goulart. O caso também é investigado no âmbito administrativo na corregedoria do MP.

O procurador foi alvo de mandado de prisão na Operação Patmos por suspeita de negociar propina para vazar informações de investigações sobre a JBS. Conforme a delação de Joesley e outros elementos de prova colhidos pela Procuradoria-Geral da República, o esquema teria envolvido a negociação de pagamentos de R$ 50 mil mensais ao procurador.

Goulart é integrante da equipe do vice-procurador geral eleitoral, Nicolao Dino, e estava cedido à força-tarefa das operações Greenfield, Cui Bono? e Sépsis, que apuram crimes relacionados à JBS. Joesley e os outros delatores da JBS entregaram provas de que o procurador repassou dados aos investigados.

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