Em terra sem emprego para jovens quem estende a mão é rei!

Em terra sem emprego para jovens quem estende a mão é rei!

Kelly Lopes*

20 de fevereiro de 2021 | 09h00

Kelly Lopes. FOTO: DIVULGAÇÃO

A paralisação da economia causada pela pandemia afetou principalmente os jovens, segundo os dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), divulgados pelo IBGE. Os dados apontam que jovens entre 14 e 24 anos representam 6,8 milhões do total dos mais de 14 milhões de desempregados atualmente no país. Cerca de 1 em cada 4 do grupo economicamente ativo nesta faixa está sem trabalho. O desemprego se alastrou por todas as faixas etárias, mas de forma mais acelerada para quem tem essa idade e quer trabalhar.

Um outro levantamento divulgado no fim do ano passado pela consultoria IDados apontou que mais de dois terços dos jovens (77,4%) têm emprego considerado de baixa qualidade. De cada dez trabalhadores com até 24 anos de idade, quase oito trabalham em situação vulnerável, o que representa cerca de 7,7 milhões de pessoas.

As perspectivas para esse jovem ainda ficam mais nebulosas nesse cenário de pandemia que intensificou os efeitos da maior crise política, econômica e sanitária que o país já viveu. Não à toa, o Brasil é o sétimo país do mundo com maior desigualdade social, segundo o último relatório divulgado pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), ficando atrás apenas de nações do continente africano, como África do Sul, Namíbia, Zâmbia, República Centro-Africana, Lesoto e Moçambique.

O quadro ainda fica mais alarmante com o encerramento do auxílio emergencial que vai provocar o aumento de pessoas em busca de emprego. Frente a esse cenário, quais serão as expectativas e as oportunidades que esses jovens podem esperar? Em especial aqueles que tiveram um ensino de baixa qualidade?

É nessa hora que precisaremos conhecer a intenção verdadeira das empresas que exemplarmente se voluntariaram para colaborar com respiradores e insumos médicos, dinheiro e alimentos para a população na pandemia. É nessa hora que os ‘pulmões da responsabilidade social’ deverão mostrar trabalho, já que o desemprego entre jovens respira por aparelhos numa pandemia que já dura há décadas.

É preciso sair da bolha para olhar e entender quem de fato é minoria no mercado de trabalho. Os que têm acesso a bons empregados e usufruem de bons salários e formação adequada, esses não são a maioria. Porém, está mais que na hora de empresas e empresários devolver os frutos da sorte a sociedade que precisa de apoio.

Enquanto todos parecem sonhar com um mundo onde as pessoas estendem a mão umas às outras, as empresas e suas pessoas se esquecem de que formar e incentivar os jovens para o primeiro emprego significa diminuir a violência, desenvolver os novos talentos que, no futuro bem próximos, serão os idealizadores das próximas inovações que o mundo aguarda e as próprias empresas vão precisar.

Passou a hora de tirar do papel o compromisso de apoiar o emprego dos jovens de forma séria e estruturada, atrelado às metas que são sempre muito mais financeiras do que sociais. É preciso se envolver, por meio de suas pessoas, em de fato ajudar na formação e no início profissional do público mais atingido pelo desemprego. Ao invés disso, cada vez mais assistimos ao massacre dos jovens que tentam o primeiro emprego, mas que se deparam com exigências curriculares que beiram os níveis gerenciais de qualificação impossível de serem atingidas para a maior parte dessa população.

Como é possível inspirar um jovem para o mercado de trabalho nos dias de hoje? Talvez começando pelo modo mais sensível, enxergando suas dificuldades e atuando com a experiência profissional de cada colaborador de uma empresa para amenizá-las. É transferir conhecimento. É praticar a empatia na sua essência mais pura.

Uma ferramenta potente para atuar na transformação de vidas é a mentoria. Cada vez mais é preciso encorajar as empresas a se aproximarem das Organizações Sociais com o objetivo de promover mentorias entre seus profissionais e os jovens assistidos em projetos de formação profissional. Assim, é possível impactar o maior número de jovens, de forma estruturada. É um processo inesquecível para quem participa e que auxilia o jovem a desenhar sua carreira a partir das experiências reais desses profissionais. Além disso, uma ação voluntária resultados positivo práticos como o engajamento dos colaboradores com a causa e a valorização da empresa por agirem de forma socialmente responsável.

É preciso uma “força tarefa” para que juntos, empresas e organizações sociais, possam “adotar” o maior número possível de jovens em início de carreira e mostrar a eles um mundo de oportunidades profissionais dignas que os ajudem a desviar do desalento, do desemprego, da angústia, da miséria, da fome e do crime.

Incentivar o jovem no seu primeiro passo profissional é investir em uma sociedade melhor, com mais oportunidades e menos desigualdades e violência. É ser transformador de vidas e motivador de talentos. É contribuir da melhor forma com a história de vida de uma jovem em formação, atuando como divisor de águas na vida dele e ainda mais na sua própria vida!

*Kelly Lopes, superintendente do IOS

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