Em reunião com forças-tarefas, Aras sinaliza trégua e promete apoio institucional à continuidade da Lava Jato

Em reunião com forças-tarefas, Aras sinaliza trégua e promete apoio institucional à continuidade da Lava Jato

Após atritos, procurador-geral da República ouviu demandas de membros da Operação em Curitiba, Rio e São Paulo

Rayssa Motta

03 de outubro de 2020 | 17h00

Após meses de fogo cruzado, as forças-tarefas da Lava Jato e o procurador-geral da República, Augusto Aras, se reuniram pela primeira vez nesta sexta-feira, 2. O encontro em Brasília teve participação de integrantes dos três grupos de trabalho que compõem a operação – Alessandro de Oliveira (Curitiba), Eduardo El Hage e Almir Sanches (Rio de Janeiro) e Viviane Martinez (São Paulo).

Pivô do processo que busca garantir na Justiça acesso a informações sigilosas dos grupos de trabalho, a subprocuradora-geral Lindôra Araújo, braço direito de Aras, também esteve presente na reunião. Ela foi a enviada do PGR à Curitiba para vasculhar os bancos de dados conservados pelos procuradores do Paraná, berço da operação.

No encontro, os coordenadores da Lava Jato em cada Estado falaram sobre o andamento dos trabalhos e sobre as necessidades locais para a manutenção das investigações em curso. A urgência é maior em São Paulo, onde os procuradores se desligaram maciçamente na última quarta, 30, por discordância com a chefe, a procuradora Viviane Martinez.

O procurador-geral da República, Augusto Aras. Foto: Gabriela Biló / Estadão

Segundo informou o Ministério Público Federal, Aras e Lindôra ‘garantiram apoio institucional à continuidade dos trabalhos’. Para São Paulo, serão enviados novos membros e assessores. Ao Rio, foi prometida ampliação da assessoria técnica.

Outra pauta da reunião foi a remodelação das forças-tarefas. A cúpula do Ministério Público Federal vinha discutindo a possibilidade de reunião dos grupos de trabalho sob comando único sediado em Brasília. O projeto criaria a Unidade Nacional de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Unac), subordinada ao procurador-geral, para atuar no combate à corrupção, a atos de improbidade administrativa e ao crime organizado. Com a resistência dos investigadores, que veem risco de perda de autonomia com a unificação, uma segunda proposta vem ganhando corpo: a de ampliação do modelo dos Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaecos) como forma de absorver as forças-tarefas da Lava Jato. Atualmente, existem Gaecos federais em Minas Gerais, Paraíba e Paraná.

“Em consonância com esforços de institucionalização dos trabalhos de combate à corrupção em todo o país, os participantes da reunião discutiram o fortalecimento dos Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaecos), estruturas permanentes que passaram a ser criadas no âmbito do Ministério Público Federal na gestão de Augusto Aras na PGR”, disse o MPF.

A reunião marca o primeiro movimento de aproximação entre o chefe do Ministério Público Federal e as forças-tarefas desde que Aras disparou críticas públicas à Lava Jato. O procurador-geral chegou a defender a necessidade de superar o ‘lavajatismo’, levantou suspeitas sobre o volume de informações mantidas pela força-tarefa e os critérios usados para obtê-las e ainda falou em corrigir ‘desvios’.

A Operação Lava Jato vive hoje a maior crise desde a sua inauguração, em 2014. Além da debandada recente da força-tarefa de São Paulo, que pediu demissão coletiva acusando a chefe de conduzir um ‘processo de desmonte’ das investigações, os procuradores que integravam o núcleo da Operação na Procuradoria-Geral da República (PGR) também pediram desligamento no final de junho. O grupo, responsável pela condução de inquéritos envolvendo políticos com foro privilegiado no Supremo, deixou o cargo por divergências com a gestão Aras.

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