Em resposta a Bolsonaro, juízes convocam ato por Justiça do Trabalho

Em resposta a Bolsonaro, juízes convocam ato por Justiça do Trabalho

Maior entidade regional do País, englobando São Paulo (capital), região metropolitana e Baixada Santista, Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da Segunda Região (Amatra-2) prepara reunião para o próximo dia 21

Redação

07 de janeiro de 2019 | 13h06

Jair Bolsonaro. Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO

Os juízes do Trabalho preparam uma ‘resposta’ a Jair Bolsonaro. Preocupados com a sinalização do presidente que, em entrevista ao SBT, na semana passada, admitiu a possibilidade de extinção desse ramo do Judiciário, os magistrados convocam ato da categoria para o próximo dia 21, às 10 horas.

A chamada está sendo feita pela Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da Segunda Região (Amatra-2), a maior regional do país englobando São Paulo (capital), região metropolitana e Baixada Santista.

Em nota pública, a entidade esclarece ‘alguns aspectos’ sobre a Justiça do Trabalho levantados por Bolsonaro na entrevista.

O texto, divulgado neste domingo, 6, é subscrito pelo presidente da Amatra-2, juiz Farley Roberto Ferreira. Ele convida ‘a todas e a todos os integrantes da magistratura e da sociedade civil para participarem de ato no qual serão discutidos pontos relacionados à atuação da Justiça do Trabalho e sua importância na manutenção do equilíbrio entre o capital e o trabalho’.

“A Justiça do Trabalho existe há mais de 70 anos e mantém êxito na pacificação social entre os interesses dos trabalhadores e das empresas, pois ao aplicar os direitos sociais trabalhistas, conserva a ordem no conflito de classes”, assinala Farley Ferreira.

O magistrado anota que ‘em toda sua história, a Justiça do Trabalho cumpre papel fundamental para a erradicação do trabalho escravo e do trabalho infantil, além de garantir a responsabilização pelos acidentes do trabalho, mais de 1.500 por dia em 2017, triste destaque do Brasil no cenário mundial’.

“No decorrer de sua atuação, o Brasil alcançou o menor índice de desemprego da história (4,3% em dezembro/2014 – IBGE), o que demonstra não haver qualquer correlação entre a atual crise do mercado de trabalho e a Justiça do Trabalho”, pontua o presidente da Amatra-2.

A manifestação ‘em favor da Justiça do Trabalho’ ocorrerá em frente ao Fórum Ruy Barbosa, em São Paulo.

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA DOS JUÍZES DO TRABALHO

NOTA À SOCIEDADE BRASILEIRA

A Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 2.ª Região – AMATRA-2, maior entidade regional da magistratura da Justiça do Trabalho, diante das declarações do Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, sobre a possível extinção da Justiça do Trabalho, esclarece à sociedade brasileira que:

1) a Justiça do Trabalho existe há mais de 70 anos e mantém êxito na pacificação social entre os interesses dos trabalhadores e das empresas, pois ao aplicar os direitos sociais trabalhistas, conserva a ordem no conflito de classes;

2) em toda sua história, também cumpre papel fundamental para a erradicação do trabalho escravo e do trabalho infantil, além de garantir a responsabilização pelos acidentes do trabalho (mais de 1.500 por dia em 2017 – AEAT de 2017), triste destaque do Brasil no cenário mundial;

3) no decorrer de sua atuação, o Brasil alcançou o menor índice de desemprego da história (4,3% em dezembro/2014 – IBGE), o que demonstra não haver qualquer correlação entre a atual crise do mercado de trabalho e a Justiça do Trabalho;

4) a Justiça do Trabalho está presente em diversos países do mundo, como: Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Portugal, Espanha, Bélgica, Austrália, entre outros;

5) atualmente, é o ramo do Poder Judiciário mais célere e eficaz no cumprimento de suas funções constitucionais;

6) a magistratura do trabalho se capacitou em tempo recorde para melhor atender toda a sociedade brasileira, diante das mudanças advindas da reforma trabalhista.; e

7) por todas essas razões, conclui que as declarações de início de mandato do Presidente da República merecem maior reflexão e conhecimento sobre o tema, porque não há como conceber a evolução de uma ideia contrária aos interesses de toda a Pátria brasileira.

Aproveitamos para convidar a todos os integrantes da magistratura e sociedade civil para debatermos sobre o tema no *evento conjunto em favor da Justiça do Trabalho que ocorrerá em frente ao Fórum Ruy Barbosa, no dia 21/01/2019, às 10 horas.

São Paulo, 6 de janeiro de 2018.

Farley Roberto Rodrigues de Carvalho Ferreira

Presidente da Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 2.ª Região

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