Em quatro dias, mais de 300 vítimas denunciam João de Deus

Em quatro dias, mais de 300 vítimas denunciam João de Deus

Chegam ao Ministério Público relatos de vítimas de Goiás, Distrito Federal, Minas, São Paulo, Paraná, Rio, Pernambuco, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Pará e Santa Catarina

Julia Affonso

13 de dezembro de 2018 | 19h12

João de Deus. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil via AP

A força-tarefa instituída pelo Ministério Público de Goiás para apurar as denúncias contra o médium João Teixeira de Faria, o João de Deus, por abuso sexual, recebeu desde segunda-feira, 10, data em foi criado o canal de denúncias, um total de 330 mensagens e contatos por telefone. O e-mail específico para essa finalidade é o denuncias@mpgo.mp.br. As informações foram divulgadas pela Promotoria nesta quinta-feira, 13.

Nesta quarta, 12, a Promotoria de Goiás requereu à Justiça a prisão preventiva de João de Deus, que alega inocência. O advogado do médium, Alberto Zacharias Toron, apresentou à Justiça um pedido para que a prisão preventiva de seu cliente não seja concedida e sugeriu que, se mantida a liberdade, seu cliente estaria disposto a fazer os atendimentos espirituais escoltado por policiais.

Médium e curandeiro, ele ficou famoso internacionalmente por suas sessões. Desde setembro de 2018, porém, várias denúncias de abuso sexual começaram a ser feitas por mulheres que iam às cerimônias conduzidas por João no Centro Dom Inácio de Loyola, onde realiza ‘cirurgias esperituais’ em Abadiânia, no interior de Goiás.

Sua própria filha, Dalva Teixeira, o acusa. Afirma ter sido molestada quando era criança.

O médium nasceu na cidade Cachoeira de Goiás no ano de 1942. Quando era adolescente saiu da pequena cidade, pois tinha descoberto seu ‘dom’ como médium.

Em 1976, fundou o Centro Dom Inácio de Loyola, onde recebeu várias personalidades como Bill Clinton, Chico Anysio e Hugo Cháves.

As vítimas que estão denunciando João de Deus são de Goiás, Distrito Federal, Minas, São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Pará e Santa Catarina.

A força-tarefa instituída pelo procurador-geral de Justiça de Goiás, Benedito Torres Neto, é formada por cinco promotores e duas psicólogas da equipe do Ministério Público.

O grupo é composto pelo promotor de Justiça Steve Gonçalves Vasconcelos, que está em substituição da Promotoria de Abadiânia, onde os fatos teriam acontecido e onde tramitarão eventuais ações penais; o coordenador e o coordenador adjunto do Centro de Apoio Operacional (CAO) Criminal do MP, Luciano Miranda Meireles e Paulo Eduardo Penna Prado; a coordenadora do CAO dos Direitos Humanos, Patrícia Otoni, e a promotora Gabriella de Queiroz Clementino, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

As psicólogas são as servidoras Liliane Domingos Martins e Lícia Nery Fonseca.

O procurador-geral também encaminhou no dia 11 um ofício-circular aos procuradores-gerais de Justiça dos MPs Estaduais e do Distrito Federal solicitando que sejam designadas unidades de atendimento para coleta de depoimentos de possíveis vítimas do médium.

O advogado de João de Deus, Alberto Zacharias Toron, afirmou não ter sido oficialmente notificado de um pedido de prisão preventiva contra seu cliente. “Não tenho essa informação. Mas se ela for confirmada, ela é descabida: ele está à disposição da Justiça, está trabalhando normalmente”, disse.

Nesta quarta-feira, 12, pela manhã, o médium fez uma visita tumultuada no Centro Dom Inácio de Loyola. Em um rápido pronunciamento, disse que era inocente e que estaria à disposição da Justiça. Foi a primeira aparição pública do médium depois que mulheres vieram a público acusá-lo de abuso sexual.

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