Em nota, Ministério da Justiça garante diretor-geral da PF no cargo

Em nota, Ministério da Justiça garante diretor-geral da PF no cargo

Eugênio Aragão diz que o diretor-geral da PF "continua gozando de plena confiança por parte do ministro"

Andreza Matais e Julia Affonso

21 de março de 2016 | 10h33

Diretor-geral da Polícia Federal fala dos desafios de se combater a corrupção. Foto: Divulgação Polícia Federal

Leandro Daiello é diretor-geral da Polícia Federal. Foto: Divulgação Polícia Federal

O ministro da Justiça, Eugênio Aragão, garantiu nesta segunda-feira, 21, ao diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, sua permanência no cargo após rumores de que seria exonerado. Em duas ocasiões, o ministro negou que estivesse buscando nomes para trocá-lo. O ministério divulgou nota oficial afirmando que “o diretor-geral da PF continua gozando de plena confiança por parte do ministro da Justiça e não há nenhuma decisão sobre sua substituição”.

Segundo reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo, o governo havia decidido buscar um novo nome para assumir a diretoria-geral da PF em até 30 dias. Daiello reiterou na conversa com o ministro seu desejo de deixar o governo antes do fim do mandato da presidente Dilma Rousseff por questões pessoais, o que ele já vinha externando desde antes da saída de José Eduardo Cardozo do Ministério da Justiça, em fevereiro.

Foi Cardozo quem o indicou para a função que ocupa desde janeiro de 2011. Sua saída, contudo, é um desejo pessoal. Daiello não deixou o cargo na ocasião a pedido de Dilma, que sempre lhe garantiu respaldo.

Uma troca agora seria entendida como uma retaliação pelo fato de a PF ter interceptado uma conversa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, investigado na Operação Lava Jato, com Dilma e poderia acirrar ainda mais os ânimos. Os grampos foram pedidos pelo Ministério Público Federal, autorizados pela Justiça Federal e viabilizados pela Polícia Federal.

No diálogo, Dilma prometia enviar a Lula o termo de posse de ministro da Casa Civil para ser usado “em caso de necessidade”, o que foi interpretado pelo juiz Sérgio Moro como tentativa de obstruir a Justiça, uma vez que Lula ganharia foro privilegiado com a nomeação.

Os rumores de substituição começaram depois de declarações do novo ministro da Justiça de que não aceitaria vazamentos na PF. Em entrevista à Folha de S.Paulo, no sábado, Aragão disse que trocaria toda a equipe em caso comprovado de vazamento de investigações.

Apesar da negativa do Planalto, há pressão do PT para a troca. O partido é alvo de operações como a Lava Jato, a Zelotes – que investiga pagamentos milionários a um filho de Lula – e a Acrônimo, que investiga esquema de corrupção envolvendo o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT). A saída de Daiello do cargo significaria “trocar o carro com o pneu andando”, uma vez que todas ainda estão em curso.

Vigilância. A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) criticou ontem uma possível substituição de Daiello. “Delegados de Polícia Federal permanecerão vigilantes a qualquer possibilidade de ameaça de interferência nas investigações. As manifestações públicas recentes demonstram que a população não deseja uma Polícia Federal controlada pelo governo, e, sim, uma Polícia Federal de Estado, firme e atuante contra a corrupção e o crime organizado”, afirma o comunicado.

O texto diz ainda que a entidade “não descarta a possibilidade de ingressar com medidas judiciais e administrativas em face de qualquer arbitrariedade que venha a ser praticada pelo ministro da Justiça”.

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