Em meio ao avanço da ômicron, cartórios registram o janeiro mais mortal no País desde pelo menos 2013

Em meio ao avanço da ômicron, cartórios registram o janeiro mais mortal no País desde pelo menos 2013

Dados do Portal da Transparência do Registro Civil mostram 144.341 óbitos no mês; mortes por pneumonia, uma das complicações mais sérias da covid-19, também aumentam

Redação

14 de fevereiro de 2022 | 12h45

Fila da vacinação em São Paulo. FOTO: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO

O mês de janeiro de 2022 bateu recorde de mortes no Brasil desde pelo menos 2013, quando Cartórios de Registro Civil passaram a consolidar o número de óbitos registrados no País.

De acordo com os números divulgados nesta segunda-feira, 14, pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-BR), foram 144.341 óbitos no mês, um aumento de 5% em relação a janeiro de 2021, que registrou 137.431 mortes. Em janeiro de 2020, portanto antes da pandemia de covid-19, foram 112.659 registros.

O recorde ocorre em meio ao aumento do número de casos de covid-19 causados pelo avanço da ômicron. O Ministério da Saúde estima que o pico de transmissão da variante deve ocorrer no final de fevereiro.

As mortes por pneumonia, por exemplo, que é uma das complicações mais sérias após a infecção pelo novo coronavírus, passaram de 12.745 em janeiro de 2021 para 21.718 neste ano.

Cartório em Brasília Foto: André Dusek/Estadão

Os dados constam no Portal da Transparência do Registro Civil, base de dados administrada pela Arpen-BR e abastecida em tempo real pelos atos de nascimentos, casamentos e óbitos registrados pelos cartórios.

Os dados de óbitos registrados pelos cartórios também mostram um crescimento nas mortes por doenças do coração em janeiro deste ano na comparação com o primeiro mês do ano passado: AVC (20%), Infarto (17%) e Causas Cardiovasculas Inespecíficas (19%). Também registraram crescimento as mortes por Septicemia (23%), Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) (9%) e Indeterminada (9%). Já os óbitos por covid-19 tiveram redução de 55% no período.

“Os números dos Cartórios de Registro Civil mostram mais uma vez, em tempo quase que real, o retrato fidedigno do que acontece com a população brasileira. Embora haja uma diminuição clara nos óbitos por covid-19, ainda não se conhecem todos os efeitos das novas variantes, em especial da ômicron, que, diante do aumento de casos no último mês, parece ser a causa do crescimento de óbitos de outras doenças, como a pneumonia, doenças do coração e septicemia”, explica Gustavo Renato Fiscarelli, presidente da Arpen-BR.

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