Na agonia de Dilma, diretor da PF critica governo por negociação salarial sem proposta

Na agonia de Dilma, diretor da PF critica governo por negociação salarial sem proposta

Em mensagem interna, delegado Leandro Daiello avalia que 'instituição que investiga e combate a corrupção, sempre fiel ao regramento jurídico e de forma republicana, sai das negociações sem nenhuma sinalização de reconhecimento'

Fausto Macedo e Julia Affonso

11 de maio de 2016 | 16h30

Leandro Daiello. Foto: PF

Leandro Daiello. Foto: PF

Em meio à crise política sem precedentes que faz o governo Dilma agonizar, o diretor-geral da Polícia Federal, delegado Leandro Daiello Coimbra, criticou duramente a administração por encerrar negociação salarial sem nenhuma proposta para os policiais. Em mensagem interna, ele afirmou. “Surpreendentemente’ fomos informados, no final do dia (terça-feira, 10), de que as negociações estavam encerradas e que não haveria nenhuma proposta salarial.”

Daiello está no comando da PF desde 2011, início do primeiro mandato de Dilma. Durante sua gestão, a PF encadeou a maior ofensiva já realizada no País contra malfeitos em todas as instâncias e níveis da República. O ápice dessa cruzada é a Operação Lava Jato, que desmontou cartel e propinas na Petrobrás.

Na carta que dirigiu aos ‘caros colegas’, o diretor-geral destaca que a Direção Geral, ’em parceria com as entidades de classe representativas dos diversos cargos na Polícia Federal, negociava com o Governo Federal, via Ministério da Justiça e Ministério do Planejamento, Orçamentoe Gestão, um acordo em busca de recomposição salarial, além de garantias de fortalecimento institucional’.

“A surpresa decorre do fato de que, desde o final do ano passado, o assunto vinha sendo tratado e discutido, nos âmbitos técnico e político, com os referidos ministérios. Ainda ontem, a Direção Geral apresentou uma proposta de acordo, que foi analisada e discutida pessoalmente durante o dia, deliberando-se, em conjunto, pelo encaminhamento à mesa de negociação com as entidades de classe.

“Infelizmente o compromisso com a Polícia Federal não foi cumprido, especialmente o tratamento igualitário dispensado aos servidores da Advocacia Geral da União e Receita Federal, em termos salariais e de garantias institucionais, órgãos que defendem o governo e arrecadam tributos”, argumenta Daiello.

Na avaliação do chefe da PF, o governo não prestigia a corporação que estanca a sangria dos cofres públicos. “Assim, a instituição que investiga, combate a corrupção e apura irregularidades, sempre fiel ao regramento jurídico e de forma republicana, sai das negociações sem nenhuma sinalização de reconhecimento.”
Leandro Daiello afirma que a cúpula da PF não se curvará. “A Direção Geral, contando com a união de todos, garante que não recuará na luta pela valorização dos servidores e na busca por uma atuação independente e autônoma do órgão. Somente uma Polícia Federal forte, coesa e dedicada obterá sucesso na melhoria de condições de trabalho e de vida de todos os servidores.”

LEIA A ÍNTEGRA DA MENSAGEM DO DIRETOR GERAL DA POLÍCIA FEDERAL

Caros colegas,

É de conhecimento de todos que a Direção Geral, em parceria com as entidades de classe representativas dos diversos cargos na Polícia Federal, negociava com o Governo Federal, via Ministério da Justiça e Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, um acordo em busca de recomposição salarial, além de garantias de fortalecimento institucional.

Conforme notas divulgadas em setembro e outubro de 2015, o Governo Federal havia se comprometido a estender aos servidores da Polícia Federal os mesmos parâmetros de eventual proposta oferecida aos servidores da Advocacia Geral da União e da Receita Federal.

Ontem, surpreendentemente fomos informados, no final do dia, de que as negociações estavam encerradas e que não haveria nenhuma proposta salarial.

A surpresa decorre do fato de que, desde o final do ano passado, o assunto vinha sendo tratado e discutido, nos âmbitos técnico e político, com os referidos ministérios. Ainda ontem, a Direção Geral apresentou uma proposta de acordo, que foi analisada e discutida pessoalmente durante o dia, deliberando-se, em conjunto, pelo encaminhamento à mesa de negociação com as entidades de classe.

Infelizmente o compromisso com a Polícia Federal não foi cumprido, especialmente o tratamento igualitário dispensado aos servidores da Advocacia Geral da União e Receita Federal, em termos salariais e de garantias institucionais, órgãos que defendem o governo e arrecadam tributos.

Assim, a instituição que investiga, combate a corrupção e apura irregularidades, sempre fiel ao regramento jurídico e de forma republicana, sai das negociações sem nenhuma sinalização de reconhecimento.

A Direção Geral, contando com a união de todos, garante que não recuará na luta pela valorização dos servidores e na busca por uma atuação independente e autônoma do órgão. Somente uma Polícia Federal forte, coesa e dedicada obterá sucesso na melhoria de condições de trabalho e de vida de todos os servidores.

Leandro Daiello Coimbra
Diretor Geral

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