Em liberdade, Bruno não põe em risco ninguém, garante advogado

Em liberdade, Bruno não põe em risco ninguém, garante advogado

Criminalista Lúcio Adolfo afirmou à Rádio Estadão que goleiro, condenado a 22 anos de prisão pelo assassinato da ex-amante Eliza Samúdio, mudou: “O Bruno que entrou na cadeia é muito diferente do que está saindo”

Gustavo Lopes, da Rádio Estadão

24 de fevereiro de 2017 | 16h28

Goleiro Bruno Fernandes. Foto: Marcelo Albert/TJMG

Goleiro Bruno Fernandes. Foto: Marcelo Albert/TJMG

O advogado Lúcio Adolfo, que defende o goleiro Bruno, condenado a 22 anos e três meses de prisão pelo assassinato da ex-amante Eliza Samúdio, afirmou, nesta sexta-feira, 24, que ‘em liberdade, ele não põe em risco ninguém’. O advogado comentou a decisão liminar do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), que colocou o ex-jogador em liberdade. O defensor afirmou à Rádio Estadão que o goleiro tem ‘proposta de trabalho de alguns times para jogar campeonato estadual’.

“Ele vai tomar o caminho que achar melhor”, disse. “Vamos provar que, em liberdade, ele não põe em risco ninguém.”

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Em março de 2013, o goleiro foi condenado a 22 anos e 3 meses de prisão pela morte e ocultação de cadáver de Eliza Samudio e pelo sequestro e cárcere privado do filho. O Juízo do Tribunal do Júri da Comarca de Contagem, Minas Gerais, determinou que Bruno cumprisse regime inicial fechado, negou o direito de recorrer em liberdade e afirmou que estavam presentes os requisitos da prisão preventiva, determinada em 4 de agosto de 2010.

O defensor de Bruno disse que o goleiro chorou ao receber a notícia. Lucio Adolfo afirmou não acreditar que o goleiro corra risco de vida.

“Não acredito, não. Eu acho que a passagem de tempo criou um viés mais favorável. No começo, a intensa ação da mídia pode ter criado a imagem neste sentido. A passagem do tempo vem esfriando um pouco e entendendo de forma diferente: Por que ele está preso há tanto tempo?”, questiona.

“Acredito que agora respondendo em liberdade, ele vai tentar dar uma normalidade para a vida. Certamente nunca mais será o mesmo. O Bruno que entrou na cadeia é muito diferente do que está saindo.”

A defesa do goleiro apelou da decisão do Tribunal de Justiça. Ao STF, os advogados alegaram ‘excesso de prazo da constrição cautelar, uma vez transcorridos mais de 3 anos desde o julgamento, sem análise da apelação’ e afirmaram tratar-se de antecipação de pena. Os defensores destacaram ainda ‘as condições pessoais favoráveis do paciente – primariedade, bons antecedentes, residência fixa e ocupação lícita’ e pediram a revogação da prisão.

À Rádio Estadão, Lucio Adolfo declarou. “O Bruno está preso há 7 anos. Foi julgado há 4 anos e sem recurso ser julgado até hoje. Eu acho absurdo. Olha, Justiça demorada é pior que injustiça. O Bruno só quer que se faça ações corretamente. O advogado dele, que sou eu, sempre cumpriu prazo. Por que a Justiça não pode cumprir? O Bruno é extremamente visível. Se ele for visto num boteco amanhã, o Brasil inteiro vai ver. O Bruno é primário, bons antecedentes, tem trabalho lícito. Como é que vamos falar que esse moço tem que ser preso? Está preso há 7 anos provisoriamente. Um cidadão que depende da vitalidade, da juventude, da musculatura, está preso provisoriamente. Isso é prisão definitiva, isso é absurdo”

Ao conceder liberdade ao goleiro, Marco Aurélio Mello afirmou que ‘os fundamentos da preventiva não resistem a exame’.

“O Juízo, ao negar o direito de recorrer em liberdade, considerou a gravidade concreta da imputação. Reiterados são os pronunciamentos do Supremo sobre a impossibilidade de potencializar-se a infração versada no processo. O clamor social surge como elemento neutro, insuficiente a respaldar a preventiva”, observou. “Colocou-se em segundo plano o fato de o paciente ser primário e possuir bons antecedentes. Tem-se a insubsistência das premissas lançadas. A esta altura, sem culpa formada, o paciente está preso há 6 anos e 7 meses. Nada, absolutamente nada, justifica tal fato. A complexidade do processo pode conduzir ao atraso na apreciação da apelação, mas jamais à projeção, no tempo, de custódia que se tem com a natureza de provisória.”

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