Em investigação que atinge o PSDB, Suíça envia extratos de Ronaldo Cesar Coelho

Em investigação que atinge o PSDB, Suíça envia extratos de Ronaldo Cesar Coelho

Procurador-Geral da Suíça Michael Lauber (foto) autorizou remessa de documentos; segundo Ministério Público do país europeu, papéis confirmam que os detalhes sobre a investigação se referiam ao empresário que, ao longo de meses, tentou evitar que seus extratos fossem enviados ao Brasil

Jamil Chade/GENEBRA

27 Novembro 2018 | 17h29

Ronaldo Cezar Coelho. Foto: Câmara

A Suíça transferiu ao Brasil os detalhes sobre as contas do empresário e ex-deputado federal Ronaldo Cezar Coelho, como parte das investigações relativas ao financiamento de campanha presidencial do PSDB em 2010. O empresário, que está afastado da vida pública, comandou o PSDB do Rio até 1993.

Na Suíça, a decisão por cooperar com o Brasil tem sido liderada desde 2014 pelo procurador-geral, Michael Lauber.

No dia 15 de novembro, o Estado revelou que Justiça suíça citava pela primeira vez em um documento oficial suspeitas sobre o financiamento de uma campanha presidencial tucana ao mencionar o pedido de cooperação judicial entre o Brasil e o país europeu.

Michael Lauber. Foto: Ruben Sprich/Reuters

Agora, o Ministério Público da Suíça confirma que os detalhes sobre a investigação se referiam ao empresário que, ao longo de meses, tentou evitar que seus extratos fossem enviados ao Brasil.

“O Escritório do Procurador-Geral confirma que, neste contexto, o Escritório Federal de Justiça delegou o pedido de assistência legal do Brasil em julho de 2017 para execução”, indicou Berna, em um comunicado. “Uma decisão determinou a transferência da documentação solicitada pelas autoridades brasileiras em junho de 2018”, explicou.

Em abril, o Estado revelou que o teor do depoimento do empresário à Polícia Federal. Aos investigadores, Ronaldo Cezar Coelho afirmou que recebeu do PSDB 6,5 milhões de euros em uma conta na Suíça em 2009 e 2010. Segundo Coelho, o dinheiro era pagamento do partido pelo uso de um avião do empresário em atividades ligadas à campanha presidencial do PSDB em 2010, que teve como candidato o senador José Serra (PSDB-SP).

Em janeiro do ano passado, Cezar Coelho já havia admitido o recebimento do dinheiro na Suíça. Agora, ele confirmou a informação no depoimento à PF.

O ex-deputado foi interrogado em 7 de fevereiro no inquérito que apura se recursos do Rodoanel Trecho Sul, em São Paulo, teriam abastecido a campanha de Serra ao Planalto. A investigação, que está no Supremo Tribunal Federal, se baseia na delação da Odebrecht, mas ex-executivos da Andrade Gutierrez e da OAS também admitiram repasses de 0,75% a intermediários supostamente em benefício do tucano.

O senador José Serra e o PSDB não responderam aos contatos da reportagem até a conclusão desta edição.

Pedido

O Ministério Público Federal brasileiro apresentou um pedido de assistência judicial à Suíça por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva. O pedido de cooperação solicitava, em 2017, que os suíços bloqueassem ativos em contas identificadas e que chegariam a R$ 43,2 milhões. De acordo com o Tribunal, isso seria “equivalente a mais de 10 milhões de francos suíços, valor total pago em uma base de corrupção entre 2006 e 2012”.

Entre as suspeitas que pairam está o envio em agosto e setembro de 2009 para “contas na Suíça do equivalente a 6,25 milhões de reais”. “Outras transferências foram efetuadas entre março e abril de 2010, por um montante de cerca de 3,75 milhões de euros”, indica o tribunal.

Ao Estado, a defesa do empresário indicou que os depósitos se referem a pagamentos para cobrir gastos com aviões que ele emprestou para a campanha do PSDB. O dinheiro na Suíça, segundo o advogado, seria um “reembolso” pelo PSDB do que foi gasto com os jatos emprestados pelo empresário para as viagens de campanha.

Esse é o segundo caso de colaboração entre Brasil e Suíça que envolve o PSDB. Na outra iniciativa, Berna enviou ao Brasil os extratos bancários das contas do ex-diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza. Mas o Ministério Público da Suíça confirma que, no caso dos R$ 43,2 milhões, o foco ja não é mais Vieira de Souza.