Em defesa do trabalho ético da enfermagem na vacinação

Em defesa do trabalho ético da enfermagem na vacinação

James Francisco Pedro dos Santos*

18 de fevereiro de 2021 | 09h05

James Francisco Pedro dos Santos. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Um dos momentos mais esperados pelos brasileiros no último ano foi o início da vacinação contra a Covid-19. Simbolicamente, a vacinação no país começou no SUS pelas mãos da enfermagem paulista, com a enfermeira Jessica Pires de Camargo aplicando a primeira dose da Coronavac na enfermeira Mônica Calazans, que tive a oportunidade de conhecer pessoalmente, como presidente do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP), em uma solenidade que promovemos em agradecimento e valorização pelo trabalho que desempenham no cotidiano.

Infelizmente, desde esse momento histórico, em vez de a enfermagem ser reconhecida pela sociedade graças à importância nos processos de imunização, a categoria foi alvo de notícias equivocadas e muitas vezes sem qualquer verificação ou embasamento científico e conhecimento técnico.

A enfermagem é historicamente a responsável por conduzir os planos de imunização no SUS e assim o tem realizado neste momento de pandemia – durante o qual, inclusive, a profissão sempre foi a linha de frente do enfrentamento ao coronavírus. Por isso, é injusto e agressivo que seja vítima de imagens que viralizaram nas redes sociais de forma descontextualizada, ameaças e agressões em razão de procedimentos que à primeira vista possam parecer incorretos.

É essencial destacar que os profissionais de enfermagem são dotados de conhecimento técnico e científico para o exercício de suas funções, livre de imperícia, imprudência e negligência, além de sabedores de seus direitos e deveres, presentes no Código de Ética da categoria. Portanto, muitos procedimentos podem parecer incorretos aos olhos de leigos, especialmente daqueles mal intencionados.

Cabe ressaltar que qualquer situação que ponha em risco a segurança da assistência ou que esteja em desacordo com as normativas do exercício profissional pode e deve ser denunciada ao Coren-SP para averiguação, seguindo todos os ritos necessários para avaliação. Além disso, irregularidades quanto à destinação das vacinas fora dos grupos estabelecidos pelos órgãos competentes também podem ser denunciadas ao Ministério Público.

Além disso, conforme previsto no Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, é direito dos profissionais: “Art. 21 Negar-se a ser filmado, fotografado e exposto em mídias sociais durante o desempenho de suas atividades profissionais”. As situações a que os profissionais sejam expostos também devem ser denunciadas ao Coren-SP.

Portanto, em nome do Coren-SP, defendo a adesão à vacina contra a Covid-19, o respeito à ciência e ao trabalho sério e comprometido da enfermagem, que não pode ser desmerecido por acusações rasas. Quem vacina no SUS é a enfermagem e ela merece ser reconhecida e valorizada por seu trabalho.

*James Francisco Pedro dos Santos, presidente do Coren-SP, enfermeiro, especialista em Urgência, Emergência e Terapia Intensiva, supervisor de enfermagem da Educação Permanente do Hospital Ipiranga, docente dos cursos de pós-graduação da Faculdade Israelita Albert Einstein e Ensine, membro da Associação Brasileira de Enfermagem em Terapia Intensiva (Abenti) e Instrutor do Curso ATCN e de simulação realística

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