Em casa, Vaccari critica Moro e diz que ‘cumpriu a vontade do partido’

Em casa, Vaccari critica Moro e diz que ‘cumpriu a vontade do partido’

Ex-tesoureiro do PT, após 4 anos e 5 meses na prisão da Lava Jato, recebeu nesta sexta, 6, benefício de regime semiaberto harmonizado com tornozeleira eletrônica; ele está morando na casa de um tio em Curitiba

Renato Onofre/BRASÍLIA

06 de setembro de 2019 | 19h04

Reprodução

Em seu primeiro pronunciamento após sair da prisão, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto criticou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. O ex-juiz da Lava Jato mandou prender o petista em abril de 2015 e o condenou em cinco ações relativas a operação. Vaccari afirmou que “respeitou a lei” e “acima de tudo” cumpriu a vontade do partido.
“Quero agradecer ao apoio que eu tive de toda a militância do PT nesses quatro anos e quatro  meses (sic) os quais eu estive preso por injustiça do juiz Sérgio Moro. Quero deixar também um abraço forte a todos os nossos militantes que estão enfrentando o dia a dia e a guerra implementada contra nós. E um forte abraço a todos os companheiros do diretório nacional que nesse período nos apoiou a mim e a minha família sem nenhuma dúvida de que o que nós fizemos foi respeitar a lei e, acima de tudo, cumprir a vontade do partido. E também a vontade política da sociedade brasileira”, afirmou Vaccari em vídeo divulgada nas redes sociais de deputados petistas.
O ex-tesoureiro petista, apontado como principal operador de propinas do PT na Petrobrás, foi condenado na 1ª instância a mais de 45 anos e seis meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região – a 2ª instância da Lava Jato – reformou duas decisões do ex-juiz Sérgio Moro e o somatório da pena caiu para 37 anos e quatro meses.
Em agosto, a Justiça Federal do Paraná aceitou um pedido da defesa do petista e concedeu indulto de Natal a ele, perdoando 24 anos da sua pena total. O benefício só foi possível porque em maio, por 7 votos a 4, o Supremo Tribunal Federal confirmou a validade da medida assinada em 2017 pelo então presidente da República Michel Temer. À época, o decreto levantou polêmica porque beneficiaria presos por crimes de colarinho branco, como corrupção e peculato.
Tornozeleira. A decisão da Justiça do Paraná permite que o dirigente petista passe a cumprir a pena em regime semiaberto com tornozeleira eletrônica. Pela lei, os presos neste tipo de regime podem sair da prisão durante o dia para trabalhar, mas voltam à noite para dormir.
Contudo, a Justiça permitiu que Vaccari fique na casa de um tio que mora em Curitiba e trabalhar na sede paranaense da Central Única dos Trabalhadores (CUT), da qual ele já foi dirigente nacional. No local, segundo o site Buzzfeed, também trabalha outro ex-tesoureiro petista Delúbio Soares, que foi condenado na Lava-Jato e, hoje, cumpre pena no regime semiaberto.
Além das cinco ações penais já julgadas em Curitiba, Vaccari responde a outras quatro ações que podem levá-lo de volta à prisão. Em nota, a defesa do petista disse que a decisão foi justa.  “Vaccari faz jus à concessão deste benefício e, mais uma vez, reitera sua confiança na Justiça”, diz a nota.

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