Em carta, Cunha diz que condenação é ‘política’ e que Moro quer mantê-lo como ‘troféu’

Em carta, Cunha diz que condenação é ‘política’ e que Moro quer mantê-lo como ‘troféu’

Ex-deputado condenado a 15 anos e quatro meses de prisão na Lava Jato também reclamou do tempo que o juiz levou para proferir a sentença, dois dias após os advogados apresentarem as alegações finais do peemedebista

Fausto Macedo, Alexandre Hisayasu, Ricardo Brandt e Mateus Coutinho

30 Março 2017 | 20h51

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Em carta divulgada por interlocutores após ser avisado de sua condenação a 15 anos e quatro meses de prisão pelo juiz Sérgio Moro, Eduardo Cunha (PMDB) afirmou que sua sentença é política “visando a tentar evitar a apreciação de meu habeas corpus no STF, para que ele possa me manter como seu troféu em Curitiba”. Escrita a mão pelo parlamentar, que está detido no Complexo Médico Penal, em Pinhais, o documento afirma ainda que Moro “quer se transformar em um justiceiro político, não tem qualquer condição de julgar qualquer ação contra mim pela sua parcialidade e motivação política.

O ex-parlamentar criticou também a velocidade do juiz da Lava Jato para proferir a sentença, dois dias depois de sua defesa apresentar as alegações finais, os últimos argumentos no processo. “A decisão, além de absurda e sem qualquer prova válida, jamais poderia ser dada 48 horas após as alegações finais”. Cunha ainda chega a afirmar que a sentença fopi dada “antes dos demais réus terem sequer apresentado as suas alegações finais na ação”. Nesta ação penal, contudo, o peemedebista é o único réu da ação.

Ele ainda reiterou que já entrou com ação arguindo a suspeição de Moro “por vários motivos já divulgados” e que agora tem o “agravante” com essa decisão “mostrando que a sentença já estava pronta”, segue o ex-parlamentar.

“Essa decisão não se manterá nos tribunais superiores, até porque contém nulidades insuperáveis”, afirma.