Em boas mãos: Itália mantém Mattarella no poder em ritmo de retomada econômica

Em boas mãos: Itália mantém Mattarella no poder em ritmo de retomada econômica

Renata Bueno*

05 de fevereiro de 2022 | 06h00

Sergio Mattarella e Mario Draghi. FOTO: DIVULGAÇÃO

Em eleição indireta realizada no último sábado (29), o parlamento italiano decidiu reeleger Sergio Mattarella para a presidência do país. O resultado não era um desejo do jurista e político italiano, que já havia expressado sua falta de vontade em permanecer no posto. Contudo, ele aceitou o desafio diante do impasse político que se consolidou entre senadores, deputados e delegados regionais. Na quinta (03), Mattarella tomou posse de seu segundo mandato.

Diferente de como acontece no Brasil, o chefe de Estado italiano tem papel representativo na vida política, já que o poder de governo é concentrado principalmente nas mãos do primeiro-ministro, cargo ocupado atualmente por Mario Draghi. Inclusive, o próprio Draghi era um dos principais nomes indicados para assumir a presidência. Contudo, neste cenário, o governo cairia e uma nova eleição em busca de um premiê técnico tão eficiente quanto ele seria necessária. Péssima ideia.

Sendo assim, a reeleição surgiu como solução para manter a estabilidade do país em um momento de retomada da terceira economia da zona euro após a crise sanitária ocasionada pela pandemia. E não podemos negar que Mattarella é um bom presidente. Ele traz constância à presença da Itália na União Europeia — que precisa, mais do que nunca, manter a união junto aos demais parceiros europeus.

Renata Bueno. FOTO: DIVULGAÇÃO

Na minha visão, a permanência de Mattarella como chefe de Estado é de extrema importância até o final do mandato de Draghi como primeiro-ministro. Falta um ano. Tempo necessário para que a Itália saia da crise econômica e siga com os diversos projetos já em andamento idealizados pelo premiê. Ou seja, uma reeleição positiva para que o país possa crescer como figura econômica de destaque dentro da União Europeia, porém cômoda no sentido de não existir outra figura com capacidade para tal.

Ainda assim, o fato de não termos outros nomes fortes apontados para o cargo pode soar como um fracasso político, pois demonstra a falta de novas lideranças capazes de falar com o mundo em nome da Itália. Mas o que precisamos agora é garantir que os resultados positivos continuem como projetos para o futuro. E neste quesito, a dupla Mattarella e Draghi tem muito a oferecer.

*Renata Bueno é advogada internacionalista e política brasileira. Foi eleita vereadora de Curitiba (PR) pelo Cidadania no ano de 2009 e, mais tarde, entre 2013 e 2018, atuou como deputada do Parlamento da República Italiana pela União Sul-Americana dos Emigrantes Italianos

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