Em ano de grandes mudanças, varejo de tintas se mantém forte e consegue crescer

Em ano de grandes mudanças, varejo de tintas se mantém forte e consegue crescer

Renato Sá*

12 de novembro de 2020 | 04h45

Renato Sá. FOTO: DIVULGAÇÃO

O ano de 2020 foi sem dúvida o mais nebuloso para muitos mercados, atingindo não só o mercado da construção, mas também o varejo de tintas, um segmento tão consolidado no Brasil, que conta com grandes grupos e marcas. A força do imponderável acompanhou o mundo como um todo. Passado o susto, digo com tranquilidade que saímos mais fortes desta experiência. Com o confinamento social imposto pela pandemia do coronavírus, as pessoas passaram muito mais tempo em casa, o que deu margem para se atentarem as pequenas reformas que precisavam ser feitas. Essa mudança de comportamento aqueceu o mercado da construção, em especial o segmento de tintas.

Esqueçam os escritórios cheios e a preocupação com questões periféricas. A casa passou a ser o centro de nossas atenções. Acostumados a passar o dia praticamente todo fora dela, vimos que cada cômodo é importante na concepção de uma vida com mais qualidade. Ponto para um mercado que viu suas vendas reagirem de maneira significativa desde junho deste ano, quando a famigerada pandemia passou a nos dar fôlego. As marcas que oferecem diferentes tipos de tintas para o consumidor, conseguiram crescer em meio a pandemia, e enxergam perspectivas ainda mais saudáveis para o próximo ano.

De acordo com o levantamento do Ibre / FGV e da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), as lojas de materiais de construção venderam mais em três meses de pandemia do que no mesmo período do ano anterior. No mercado de tintas, por exemplo, temos registros de redes que cresceram mais de 10% durante a pandemia, superando números do ano passado, inclusive com abertura de novas lojas durante os meses de isolamento. Esse movimento de mercado pode ser atribuído a alguns fatores como o auxílio emergencial e o fato de lojas de materiais de construção terem sido consideradas estabelecimentos com serviço essencial e, por esse motivo, puderam manter o funcionamento, o que levou a esse desempenho favorável.

A demanda reprimida por novos lançamentos imobiliários, por gente que adiou reformas ou simplesmente decidiu fazê-las agora, ao entender a importância da casa e da manutenção dos espaços da residência, também explicam esse crescimento.

Outros pontos positivos que acabaram ficando como legado do período de isolamento social, foram o crescimento e a importância do e-commerce para o varejo de tintas. Lojas virtuais do setor de materiais de construção também registraram aumento de vendas, o que impulsionou a criação de novas estratégias no ambiente digital para atender com qualidade e conforto o consumidor.

Deixando de lado o impacto que o coronavírus trouxe para o varejo como um todo, tenho ainda mais motivos para ter uma visão otimista para a próxima década, no universo varejista conectado ao segmento de casa e construção. A profissionalização imposta de maneira global é uma grande aliada dos grandes grupos do setor, que buscam inovação e experiência de consumo para quem importa: o cliente.

Dentro desse contexto, é importante ressaltar a importância do profissional que atua no trabalho diário junto ao cliente, o pintor, o pedreiro, o ajudante, pois, em muitos casos, é ele quem faz a compra, quem escolhe o material, quem faz a indicação da loja onde os produtos serão comprados. Por isso, a importância da valorização do profissional por lojas que oferecerem a esta categoria ferramentas que eles possam utilizar para sua qualificação. Como por exemplo, programas de fidelidade focados na capacitação e profissionalização desse público.

A demanda reprimida virá com força e com ela os esforços dos grandes grupos, tornando o mercado ainda mais competitivo. É importante que as empresas estejam atentas às mudanças que a pandemia causou, mas, mais do que isto, que estejam dispostas não só a se adequar, mas também a realizarem mudanças estruturais que possam desenvolver ainda mais o mercado da construção, que concentra um mar de oportunidades.

*Renato Sá, sócio-diretor do Grupo Aliar

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