Em agenda na terra da Lava Jato, Cardozo foi escoltado por ‘Japonês da Federal’

Ministro da Justiça passou menos de 24 horas, na terça-feira, 8, em Curitiba, onde reuniu-se com secretário da Segurança Pública do governo Beto Richa

Andreza Matais, Fabio Fabrini e Fausto Macedo

10 de dezembro de 2015 | 19h03

 

japonesreuters

Agente Newton Ishii, da Polícia Federal

 

BRASÍLIA –O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, estiveram em Curitiba na terça-feira, 8. Oficialmente, a pauta era uma reunião agendada no mesmo dia da viagem com o secretário de Segurança Pública do Paraná, Wagner Mesquita. O ministro não pediu agenda com o governador, Beto Richa (PSDB-PR). Um dia antes da reunião na capital paranaense, o ministro recebeu o governador e o secretário no seu gabinete em Brasília. Durante sua breve permanência em Curitiba, Cardozo foi escoltado pelo agente da Polícia Federal Newton Ishii, o ‘Japonês da Federal’ – como o policial ficou conhecido porque faz a escolta dos presos da Operação Lava Jato e, por isso, ganhou fama e marchinha de carnaval.

 

A agenda em Curitiba foi considerada inusitada por interlocutores do secretário paranaense, uma vez que, segundo pessoas presentes, o assunto tratado poderia ser conversado pelo telefone e já havia sido tema da reunião do ministro com Richa em Brasília um dia antes, quando o tucano solicitou reforço policial para área da empresa Araupel, em Quedas do Iguaçu, que está ocupada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e será reintegrada.

Após a reunião com o secretário paranaense, o ministro almoçou com delegado da Polícia Federal no Paraná, Rosalvo Ferreira Franco, responsável pela superintendência onde estão sendo tocados os trabalhos da Operação Lava Jato e para onde são levados inicialmente os presos envolvidos no escândalo de corrupção da Petrobrás. O empresário José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula, por exemplo, está na carceragem da superintendência. O diretor-geral da PF, o delegado Maurício Valeixo – diretor de investigação e combate ao crime organizado da PF -, e o agente Newton Ishi também participaram do almoço no restaurante Madero, em Curitiba. A assessoria do ministério disse que não irá se manifestar sobre o assunto. A PF diz que cumpriu em Curitiba agenda com o secretário.

Na agenda do ministro, divulgada em sua página oficial, o almoço com Rosalvo não está registrado. Apenas o encontro com Wagner Mesquita, entre 11h e 12h30. Segundo a assessoria do secretário, o ministro esteve com ele entre 12h12 e 13 horas. O ministro e sua comitiva chegaram a Curitiba pela manhã, mas não há informações sobre a agenda de Cardozo nesse período.

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