Eles poderiam não estar aqui…

Eles poderiam não estar aqui…

José Barroso Filho*

07 de junho de 2021 | 04h30

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

No Brasil, cerca de 10% das etnias indígenas ainda praticam o “sacríficio” de crianças indígenas que tenham anomalia físca ou mental, sejam gêmeos (só um sobrevive) ou filhos de mães solteira. As razões são culturais e fundam-se em tradições seculares que entendem que essas crianças não são viáveis e representam uma sobrecarga para o grupo.

Assistindo a vídeos e ouvindo relatos de indigenas sobre estas práticas, percebe-se que um momento de profundo sofrimento para toda a comunidade, especialmente, a família, porém é de tal forma arraigado na cultura deles que ainda é praticado.

Não adianta criminalizar ou tentar impor os nossos conceitos, a herança cultural e sua evolução são questões altamente complexas.

Porém, não podemos assistir impassíveis tais práticas…

Por vezes, os pais não concordam em sacrificar o próprio filho e todos tem que abandonar a comunidade…

Existem Instituições que acolhem essas pessoas mas são iniciativas pontuais e isoladas.

Saíamos da indignação e adotemos medidas objetivas e pragmáticas para salvar essas crianças.

Vários jovens caciques do Xingú já se manifestaram contra esta prática e a minha impressão é a sequência destes acolhimentos, esta clara opção pela vida deflagre – com o tempo (lembre a mudança é cultural) a consciência, a percepção de que a Vida é um Presente e precisamos dizer Presente a VIDA…

Nossa opção é pela Vida…

Mais do que a indignAção, AÇÃo.

Na foto:

A menina chama-se Iganani Suruwahá (Comunidade fica no Amazonas).

Ela sofre de paralisia cerebral e foi abandonada na Floresta.

A Mãe biológica não aguentou a dor e resgatou a menina e por isso teve que abandonar a comunidade.

Um detalhe que até me emociona: ela está apertando a minha mão… (observem na foto)

O menino chama-se Amalé Kamaiurá (Comunidade fica no Mato Grosso – Parque Nacional do Xingú).

Ele é filho de mãe solteira.

Ficou duas horas, soterrado, quando uma indígena (que passou a ser a sua mãe adotiva) o resgatou e se dispos a criá-lo mesmo com a implicação de ser afastada do convívio da sua comunidade.

*José Barroso Filho é ministro do Superior Tribunal Militar e conselheiro do Conselho Nacional de Educação

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