Eles ainda estão lá!

Eles ainda estão lá!

Sérgio Cabral, Eduardo Cunha, Geddel, Henrique Alves, Vaccari, Duque, Bendine, Palocci, Léo Pinheiro, André Vargas, Zelada, Argello, Joesley, Wesley e Saud JBS/J&F, quem diria, todos continuam na prisão da Lava Jato para surpresa geral; alguns chegaram lá há quase três anos; nesta sexta, 22, a eles se juntou Maluf, alvo de outra investigação

Luiz Vassallo, Fausto Macedo, Julia Affonso

23 de dezembro de 2017 | 05h00

Uma cena impensável até outro dia, e para perplexidade geral, marca o País na proximidade das festas de mais uma passagem de ano. Políticos, ex-ministros, empreiteiros, doleiros, gestores públicos, ex-dirigentes da Petrobrás, todos fisgados pela Lava Jato, continuam atrás das grades. São quadros históricos de Brasília, nomes até então tidos como intocáveis, que caíram na malha fina da grande investigação. Muitos já estão condenados, pegaram penas severas, outros estão prestes a receber o veredicto.

Fotos: Agnus Nascimento / Tribuna do Norte, Dida Sampaio / Estadão, Reprodução de vídeo de audiência de custódia

Integram esse rol o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB), dois ex-presidentes da Câmara, Eduardo Cunha e Henrique Alves, ambos também peemedebistas, o ex-ministro Geddel Vieira Lima, o ex-presidente da Petrobrás Aldemir Bendine, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto…

Fotos: AlbariI Rosa/AGP, Geraldo Bubniak/AGB e Reprodução de depoimento à Justiça

…ex-diretores e gerentes da estatal petrolífera, como Jorge Zelada e Renato Duque, o empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, ex-deputados, como André Vargas (ex-PT/PR), ex-senadores, como Gim Argello (PTB/DF). E por aí vai.

Paulo Lisboa / Brasil Photo Press, Reprodução de depoimento à Justiça e Dida Sampaio/ Estadão

A lista é extensa.

Paulo Maluf. Foto: REUTERS/Leonardo Benassatto

Nesta sexta, 22, chegou lá Paulo Maluf! Emblemático nome da política, condenado a 7 anos, nove meses e dez dias por lavagem de dinheiro que teria desviado dos cofres públicos quando exerceu o mandato de prefeito de São Paulo, ele está entrando na Papuda, onde já estão o ex-senador Luiz Estevão, quase 30 anos de pena por desvios de dinheiro das obras do Fórum Trabalhista de São Paulo, e o ex-ministro Geddel Vieira Lima, este o homem do famoso bunker de R$ 51 milhões em dinheiro vivo.

Luiz Estevão. Foto: Ernesto Rodrigues/AE

Alguns chegaram lá em 2015, como Vaccari Neto, capturado em abril daquele ano. Ele vai passar o seu terceiro Natal atrás das grades, no Complexo Médico Penal de Pinhais, arredores de Curitiba, base e origem da Lava Jato.

João Vaccari Neto. Foto: Paulo Lisboa/Brazil Photo Press

Outros estão recolhidos há menos tempo. Por exemplo, Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobrás, que chegou em julho, alvo da Fase Cobra da Lava Jato. É o seu primeiro Réveillon lá.

Aldemir Bendine. Foto: Nacho Doce/Reuters

Em setembro de 2016, chegou Antônio Palocci, capturado na Omertà. Um mês depois, passou a fazer companhia ao grupo Eduardo Cunha.  Mais um mês adiante, novembro de 2016, foi a vez de Sérgio Cabral, que governou o Rio por oito anos sucessivos e agora já acumula penas de 87 anos de cadeia – a ele impostas pelos juízes federais Sérgio Moro e Marcelo Bretas.

Antonio Palocci. Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters

Assim, Cunha e Cabral – o primeiro na cadeia de Curitiba, o outro no Rio – experimentam o segundo Natal confinados.

Cabral em julho de 2017, após prestar depoimento no Rio. FOTO: FABIO MOTTA/ESTADÃO

Henrique Alves, que até ministro foi, é alvo de duas missões de uma só vez, a Operação Manus e a Operação Sépsis, que vieram na esteira da Lava Jato.

Henrique Eduardo Alves. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Na Custódia da Polícia Federal em São Paulo estão os irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS/J&F. Chegaram em setembro, acusados de usarem informações privilegiadas de suas próprias delações premiadas para auferir ganhos milionários no mercado financeiro. Ricardo Saud, executivo do grupo, também vai passar o Natal e a virada do para 2018 na cadeia, mas no caso dele em Brasília.

Leonardo Benassatto/ Reuters, Felipe Rau/ Estadão e Dida Sampaio/Estadão

Muitos já passaram por lá, mas, graças a decisões judiciais – a maioria pelas mãos do ministro Gilmar Mendes, do Supremo – conseguiram sair da prisão ou pegaram regime domiciliar. É o caso dos ex-governadores Garotinho e Rosinha, do ‘Rei do Ônibus’ Jacob Barata Filho, do ex-bilionário Eike Batista, da mulher de Sérgio Cabral, Adriana.

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Fotos: Tasso Marcelo / AE, Ueslei Marcelino / Reuters e Wilton Jr. /AE

No último dia 19, o empreiteiro Marcelo Odebrecht – depois de quase mil dias recolhido – deixou o Complexo de Pinhais. Preso em 19 de junho de 2015, ele passou dois Réveillons atrás das grades. Agora, vai ficar em casa os próximos dois anos e meio, com tornozeleira eletrônica. Faz parte do acordo de delação premiada que fez.

Assim como Palloci e Léo Pinheiro, Odebrecht confessou ter cometido crimes. A maior parte dos outros encarcerados nega.

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