‘Ele mesmo levou as notas fiscais, as empresas e tudo’, diz delator sobre propina a Orlando Silva

‘Ele mesmo levou as notas fiscais, as empresas e tudo’, diz delator sobre propina a Orlando Silva

Ricardo Saud, diretor financeiro da J&F, afirmou à Procuradoria ter tratado diretamente com deputado federal do PC do B/SP sobre contratos para 'dissimular' propinas de R$ 3 milhões; documentos foram entregues aos investigadores

Luiz Vassallo e Julia Affonso

26 de maio de 2017 | 05h00

Orlando Silva. FOTO: TASSO ARCELO/ESTADÃO

O diretor de Relações Institucionais da J&F Ricardo Saud afirmou, em delação premiada, que o deputado Orlando Silva (PC do B-SP) tratou, diretamente com a JBS, sobre qual fórmula usaria para maquiar propinas de R$ 3 milhões a sua campanha, em 2014. O delator entregou ao Ministério Público Federal contratos e notas fiscais que alega serem ‘frias’ para justificar os gastos da empresa, não contabilizados, à campanha do ex-ministro dos Esportes do Governo Dilma.

Segundo Saud, nas eleições de 2014, havia um entendimento, no meio político, de que ‘Aécio Neves (PSDB-MG) tinha chances reais de ganhar as eleições’. A partir daí, em um suposto acordo com o então ministro da Fazenda Guido Mantega, o empresário Joesley Batista, acionista da JBS, afirma ter autorizado Saud para que o grupo pagasse propinas para ‘comprar apoio’ a partidos que pudessem integrar a chapa Dilma/Temer.

Os delatores mencionam R$ 46 milhões ao PMDB – sendo R$ 35 milhões aos ‘caciques do partido no Senado’ -, R$40 milhões ao PSD, 4 milhões ao PDT, R$ 36 milhões ao PR, e R$ 13 milhões ao PC do B.

Os acertos com o PC do B, de acordo com o executivo da J&F Ricardo Saud, foram autorizados por Mantega, em acerto com Joesley. No entanto, ele relata ter recebido um pedido do então tesoureiro do PT João Vaccari Neto. “Desse [total de R$ 13 milhões], os outros 3 milhões foram para o Vaccari, que pediu que fossem direto para o Orlando Silva. Nessa hora [quando Vaccari teria pedido os R$ 3 milhões], eu falei que ele tinha que falar com o Joesley. E assim foi feito e autorizou”.

“E o Orlando Silva levou 3 milhões em notas fiscais. Ele mesmo participou de tudo ativamente comigo de todas essas doações. Ele que levou as notas fiscais, as empresas e tudo. Todas são notas fiscais falsas”, afirmou.

Saud entregou documentos de empresas de informática, administração e locação de bens firmados com a JBS. Segundo ele, eram ‘todos falsos e fictícios’, e serviram para o pagamento de propinas a Orlando Silva (PC do B).

“Com isso, fecha 13 milhões para o PC do B. Estamos tratando das contas de partido da chapa Dilma/Temer. Isso vai dar briga interna porque alguém desviou 3 milhões dos 13”, afirmou Saud, referindo-se à subtração dos valores do partido, a pedido de Vaccari, para a campanha do deputado federal.

COM A PALAVRA, ORLANDO SILVA

DECLARAÇÃO

Sobre as notícias acerca da delação da JBS, declaro que:

– As doações feitas ao PCdoB e repassadas para candidatos do Partido foram dentro da lei então vigente e declaradas à justiça eleitoral;
– As doações recebidas em minha campanha foram todas legais e constam na prestação de contas, já aprovadas pela justiça eleitoral.

Deputado Federal Orlando Silva,
São Paulo, 25 de maio de 2017.

COM A PALAVRA, O PSD

“As apurações em andamento são importantes para o país e devem continuar como determina a legislação.

Com relação às citações em depoimentos que foram divulgados nesta sexta-feira, cumpre esclarecer que o ministro detém participação societária em empresa prestadora de serviços que opera dentro de estrita legalidade.

Não houve qualquer recebimento de recursos pessoais pelo ministro, o que ficará devidamente comprovado.

Com relação às menções a repasses durante o processo eleitoral em 2014, cabe apontar que não houve “negociação do partido” e as doações recebidas foram registradas junto à Justiça Eleitoral.

O ministro sempre pautou sua conduta pelo cumprimento à legislação.”

Alexandre Gajardoni

Assessoria de imprensa

Partido Social Democrático

COM A PALAVRA, O PDT

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do PDT, mas não obteve resposta. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, O PMDB

A assessoria de imprensa entrou em contato com o PMDB, mas não obteve resposta. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, O PR

A reportagem tentou, sem sucesso, contato com o PR. O espaço está aberto para manifestação.

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