‘Ele disse que seu maior sonho era entrar em uma escola e atirar’, diz professora de jovem apreendido

‘Ele disse que seu maior sonho era entrar em uma escola e atirar’, diz professora de jovem apreendido

P.K.B.L., que dava aula para o menor, revela à Polícia Civil que rapaz, a chocou dez dias antes do atentado quando em sala declarou que 'seu maior sonho era entrar em uma escola, armado e atirar em várias pessoas aleatoriamente'

Luiz Vassallo

19 de março de 2019 | 17h47

Reprodução

Logo após o massacre que matou 10 na escola de Suzano, na Grande São Paulo, uma professora alertou a Polícia Civil sobre o jovem que foi apreendido nesta terça-feira, 19, sob suspeita de ter participado do planejamento do ataque.
O menor, agora com 17 anos, está sob suspeita de ter ligação com os dois executores do atentado – ambos mortos. Mensagens em seu celular também embasam as investigações da Polícia. A Justiça determinou a quebra do sigilo telefônico do menor.

A professora afirmou ter dado aula na Escola Estadual Raul Brasil em 2015, quando lecionou para o adolescente que executou os atentados, e que atualmente estava em outro estabelecimento de ensino, onde tinha como aluno o jovem que foi apreendido nesta terça, 19.

Em uma atividade, em sala de aula, ela teria proposto uma ‘projeção do futuro’ aos estudantes. Relata que o jovem investigado era tido por ‘apático’ e que ‘não falava com ninguém’, mas, naquele dia, fez declarações que a chocaram. O fato teria ocorrido dez dias antes do atentado em Suzano.

“Este teria respondido de forma fria, sem expressar qualquer sentimento que o seu maior sonho era entrar em uma escola, armado e atirar em várias pessoas aleatoriamente; alega que ficou chocada com a expressão fria do aluno, que mesmo sendo questionado pela declarante, se não tinha remorso, respondeu que o único sentimento que desenvolvia era um sentimento de prazer, quando imaginava tal cena”, consta no termo de depoimento da professora.

À Polícia, ainda afirmou que na manhã do dia 13, data do atentado, ‘quando soube da tragédia que ocorreu no Raul Brasil, tentou por diversas vezes entrar em contato com o rapaz, pois acreditava que ele era o autor de tal crime, por causa dos detalhes’ , entretanto, ‘depois de um tempo’, ele respondeu.

As mensagens foram entregues pela professora à Polícia.

No dia do atentado, ela ainda entrou em contato com o celular do jovem, por desconfiar de que ele teria sido o autor dos ataques. Entretanto, ele respondeu dizendo que não fez parte do massacre, mas que seu ‘melhor amigo fez’. “Ele só tinha problemas demais”.

Ela questionou. ‘E o que você acha disso?’

‘Eu não tenho opinião’. ‘Ele se matou, um belíssimo fdp, isso sim’. ‘Vou sentir falta dele’.

Ela disse. ‘Fim de mundo’. O jovem respondeu. ‘Nem tanto kkkk’, ‘Nem cheguei a chorar’.

A professora ainda alertou. “Chorei muito, pensei que você estivesse envolvido”. E o jovem respondeu. ‘Um monte de gente pensou kkk’.

Em determinado momento da conversa, ele ainda afirmou. ‘Ele fez o que a gente vivia conversando sobre’. ‘Entrou para a história’.

Em depoimento, ela diz que o menor na última parte da conversa disse que tem planos, sendo questionado pela depoente quais planos e respondeu apenas ‘Rússia’.

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