Eike doou R$ 750 mil na campanha de reeleição de Cabral

Eike doou R$ 750 mil na campanha de reeleição de Cabral

Empresário caçado pela Interpol em todo o mundo é suspeito de ter pago US$ 16,5 milhões em propinas a ex-governador preso na Operação Calicute, da Polícia Federal

Mateus Coutinho, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

28 de janeiro de 2017 | 04h30

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O empresário Eike Batista – desde quinta-feira, 26, caçado pela Interpol em todo o mundo -, doou R$ 750 mil para a campanha de reeleição de Sérgio Cabral ao governo do Rio, em 2010. As doações foram realizadas diretamente ao peemedebista, que governou o Estado duas vezes consecutivas, entre 2007 e 2014.

Cabral está preso em Bangu desde novembro de 2016, alvo da Operação Calicute, dedobramento da Lava Jato no Rio. Contra ele pesam três mandados de prisão preventiva.

O ex-governador teria recebido durante seus mandatos como chefe do Executivo fluminense mesada de R$ 850 mil das empreiteiras Andrade Gutierrez e Carioca Engenharia.

A Operação Eficiência, deflagrada na quinta-feira, 26, aponta propinas de US$ 16,5 milhões de Eike para Cabral. O repasse teria ocorrido por meio de uma conta do empresário no Panamá que fez o dinheiro chegar no Uruguai.

Os registros da Justiça eleitoral mostram, na avaliação dos investigadores, a extensa rede de contatos de Eike com governantes e parlamentares.

As doações do empresário incluem as campanhas presidenciais de 2006 e 2010. Eike doou R$ 1 milhão para o comitê financeiro do então presidente Lula em 2006.

Em 2014, ele depositou R$ 1 milhão para o comitê de Dilma Rousseff (PT), releita naquele ano. O comitê de José Serra (PSDB) também recebeu R$ 1 milhão.

O senador cassado Delcídio Amaral (sem partido), que já foi preso e se tornou delator na Lava-Jato, foi beneficiário de doações de Eike em 2006 e 2010, totalizando R$ 900 mil.

Os partidos que receberam recursos do foragido internacional foram PT, PMDB, PSDB, PP, PSD, PSB, DEM, PR, PDT, PV, PCdoB, PTB e PTC. Os estados dos políticos são Rio, Minas Gerais, Santa Catarina, Maranhão, Ceará, Mato Grosso do Sul, Amapá e o Distrito Federal. A maior parte das doações (R$ 12,1 milhões) foi feita por Eike como pessoa física. Somente em 2012 ele se valeu de uma das empresas, MMX Mineração, para fazer repasses totalizando R$ 500 mil.

A maior parte dos repasses, porém, foi feita por meio de diretórios e comitês.

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