Educação, um valor que acompanha a humanidade!

Educação, um valor que acompanha a humanidade!

Liliam Ferreira Manocchi*

07 de agosto de 2021 | 04h00

Liliam Ferreira Manocchi. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Quando pessoas se envolvem com a educação, enquanto sistema formal e fazem de suas atividades motivos para alegria, realização, criação e interação, para além do exercício profissional, com todas suas implicações e responsabilidades, certamente realizam-se com maior plenitude. E, quando o aluno é o centro e o professor sua grande inspiração, quando até as paredes ensinam e a educação está em cada interação, surgem, além dos professores e professoras, todas as pessoas envolvidas, direta ou indiretamente, nos processos educativos.

Além dos profissionais de educação, essenciais para o pleno funcionamento da escola, as instituições mobilizam profissionais de diferentes setores, como os da tecnologia, da infraestrutura, da comunicação, dentre outros, que oferecem as condições para que tudo aconteça da melhor maneira possível. Ratificando a afirmação de que na escola até as paredes ensinam, aprendemos e ensinamos, todos e todas, uns com os outros, por atos educativos, atos de solidariedade, atos de apoio ou de orientação.

É fato que a importância do reconhecimento dos profissionais da educação como agentes que colaboram ativamente para a transformação da sociedade como um todo, resulta em valores inimagináveis. Em muitas das atividades em educação há o reflexo das expectativas da sociedade em relação à manutenção de um status quo, à reprodução de valores reconhecidos, ao reforço de hábitos e costumes validados, ao afastamento e controle dos conflitos, tendo em vista a formação de bons profissionais e de boas pessoas. Estas são as perspectivas gerais que se colocaram para a educação ao longo do tempo e, ainda hoje, são muito valorizadas.

Podemos formar bons profissionais, boas pessoas e cidadãos autônomos transgredindo uma pretensa ordem rigorosa nos processos educativos? A resposta que oferecemos a esta questão surge, em grande medida, no momento em que as instituições de ensino (aquelas que o fazem) promovem uma verdadeira “revolução copernicana” na organização, na estrutura, nas orientações advindas de um projeto pedagógico diferenciado.

Trabalhando com os conflitos como constitutivos das pessoas e das relações educativas, questionando, intervindo, propondo, construindo conhecimento de forma colaborativa e, sobretudo, se solidarizando, estas instituições, também, se tornam reflexo para a sociedade, além de serem por ela influenciadas.

O período ainda não encerrado da pandemia do coronavírus colocou à prova as instituições, os sistemas de ensino e os atos educativos, exigindo a apresentação de possibilidades. Nas instituições em que é inerente ao seu projeto pedagógico, propor ações voltadas ao protagonismo dos alunos (por professores e professoras que acreditam em uma educação emancipadora), a passagem de aulas presenciais para aulas remotas e síncronas, foi um grande desafio enfrentado de imediato com a agilidade própria dos profissionais de educação, docentes ou não docentes, e dos profissionais de outros setores, no apoio à sustentação das atividades pedagógicas.

Foi fervilhante o movimento para troca de experiências, numa demonstração de solidariedade e valorização do trabalho colaborativo. Criação de redes para compartilhar experiências, novas ferramenta, modos interessantes de organizar a turma nas atividades síncronas. A mobilização foi intensa e original, no sentido de que inesperada. Rapidamente os profissionais tiveram que “virar a chave”. Houve aflição, sofrimento, preocupação e sensação de impotência e incapacidade. Estes sentimentos revelaram, além de certa angústia, uma alta capacidade para agir e mudar as rotinas.
Outro aspecto a se valorizar neste movimento estranho às rotinas e que aconteceu tão rapidamente, além das ações observáveis, na organização das aulas e no uso diversificado de ferramentas online, foram as iniciativas para atender às necessidades e aflições da comunidade acadêmica advindas do ambiente criado pela pandemia, uma certa solidão a partir do afastamento das relações interpessoais, perda de pessoas próximas e queridas, dificuldades financeiras e outras questões pessoais.

Criaram-se redes de apoio psicológico, visando à saúde mental, apoio financeiro aos que tiveram dificuldades advindas da pandemia e outras ações que demonstram todo o esforço para manter a comunidade junta, solidária e colaborativa.

Se numa escola até as paredes ensinam e o principal é a interação, estes ensinamentos extrapolam os conhecimentos acadêmicos e pulsam humanização em suas interações. Assim, em momentos como o que vivemos, a instituição se fortalece pelas pessoas e suas relações.

Salve os profissionais de Educação, no dia a eles dedicados, e toda a comunidade acadêmica que trabalha de forma colaborativa, aprende e ensina diariamente para que seja possível a transformação do País pela educação.

*Liliam Ferreira Manocchi, líder de Empoderamento Docente da vice-presidência acadêmica da Ânima Educação

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