Educação socioemocional deve ser prioridade daqui para a frente

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Educação socioemocional deve ser prioridade daqui para a frente

Marcos Moriggi*

10 de setembro de 2020 | 02h30

Marcos Moriggi. FOTO: DIVULGAÇÃO

Em meio à indefinição sobre a data de retorno às aulas presenciais em todo o Brasil e qual o melhor modelo a ser adotado para a retomada, já se discute, também, quais serão os reais impactos da pandemia para a Educação. O que será do ano letivo daqui para a frente? Com tantas incertezas, o futuro aponta para um ensino mais acolhedor e desenvolvedor das habilidades socioemocionais, diante do fato de que as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) devem ser implementadas pelas escolas brasileiras até 2021.

É consenso entre os agentes escolares que a tecnologia não substitui as conexões entre alunos e professores, estabelecidas em sala de aula, e que o ensino híbrido seria o modelo ideal. Mas, como 2020 já está acabando, e as aulas remotas seguem como única opção, professores precisam se desdobrar para manter a criatividade – mesmo em meio ao estresse e à ansiedade – para superar o desafio de continuar se conectando com os alunos e passar um ensino de qualidade.

De acordo com o pesquisador norte-americano Daniel Goleman, doutor em Psicologia e professor pela Universidade de Harvard, em palestra para gestores de escolas parceiras do SAS Plataforma de Educação, estudos sobre o mercado de trabalho revelam que as habilidades socioemocionais já são mais importantes do que as cognitivas, que representam apenas 15% das competências necessárias para os grandes líderes. Para o especialista, as habilidades são importantes para cumprimento de tarefas, mas não são diferenciais para a alta performance, seja no mercado de trabalho, seja na escola.

Fica evidente que trabalhar as habilidades socioemocionais é fundamental não só durante, mas também após a pandemia. A situação decorrente do surto de covid-19 acelerou a necessidade de uma abordagem mais acolhedora, mesmo à distância, de alunos preocupados, assustados e, até mesmo, traumatizados, antecipando a adoção de práticas que cumprem as diretrizes da BNCC.

As competências da Base regulamentam uma proposta de ensino que investe no desenvolvimento intelectual, social, físico, emocional e cultural do aluno, por meio das normativas: conhecimento, argumentação, repertório cultural, trabalho e projeto de vida. Seu propósito é estabelecer um currículo mais atual para elevar o padrão de ensino e a consequente formação de jovens mais atuantes na sociedade. Afinal, é papel da escola garantir a formação integral do aluno e contribuir para ajudá-lo a criar o seu projeto de vida.

Antes mesmo da pandemia, muitas escolas em todas as partes do mundo já procuravam oferecer uma formação mais humana aos jovens. O distanciamento social ajudou a florescer essa humanidade na relação interpessoal educacional, que deve se tornar realidade a partir do próximo ano. Especialmente no Ensino Médio, fase em que o estudante precisa aprender a articular anseios com seu futuro.

O desenvolvimento de habilidades socioemocionais e do projeto de vida estimula o aluno a fazer escolhas, a promover o autoconhecimento e propósito, a reconhecer a importância da relação com o outro, a gerenciar as incertezas do futuro e a transformar sonhos em realidade.

O desenvolvimento de nosso país passa pela construção de uma educação de qualidade e de alto desempenho, preparando o aluno para ser um cidadão protagonista, pronto para tomadas de decisões e competente em habilidades para a vida. Entretanto, enquanto nossa sociedade enfrenta dificuldades para retomar a normalidade, os educadores seguirão se reinventando para cumprir o dever de ensinar, mas, sobretudo, de continuar cuidando da inteligência emocional de alunos, de seus familiares e, também, dos próprios professores.

*Marcos Moriggi, diretor de Consultoria Pedagógica do SAS Plataforma de Educação

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