Educação no metaverso: já estamos atrasados para o futuro

Educação no metaverso: já estamos atrasados para o futuro

José Barroso Filho*

04 de fevereiro de 2022 | 07h00

José Barroso Filho. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Nos últimos meses, as rodas de debates foram, quase que invariavelmente, povoadas pelo tema do Metaverso. Conceitos, perspectivas, regulações, limites… Muito se discute e mais ainda há que se analisar.

No campo da Educação, o tema impõe-se como indispensável para debater o futuro (próximo e latente) do Ensino, nos mais variados graus e modalidades. O futuro virtual, “figital”, em realidades aparentemente paralelas, já chegou e se instala, principalmente entre as novas gerações, de forma bastante natural.

A ideia de um local em que as relações educacionais, profissionais, de lazer, enfim, onde as relações sociais se desenvolvem é, de fato, uma realidade. Apresentações 3D de moléculas, de experiências da vida cotidiana, o auxílio da inteligência artificial se impuseram e as suas atualizações se avizinham com velocidade em todas as searas do convívio humano.

Fato é que, em muito impulsionada pelas sucessivas ondas de isolamento social, ocasionadas pelos avanços da Pandemia de COVID-19, a realidade virtual se faz cada vez mais presente nesta quadra da terceira década do século XXI.

Não há escapatória para os tradicionalistas exacerbados.

É preciso “logar” para se inserir no meio, é preciso imergir para ingressar na roda de conversas e debates, é preciso produzir “uploads” para fazer “downloads”. É preciso entender (e estudar) para poder ensinar no campo: veja-se, “no” campo, não necessariamente “sobre” o campo – as disciplinas que compõem os currículos se tornarão mais e mais aptas a se desenvolverem em teoria e prática no Metaverso.

Os avatares que povoam o Metaverso poderão, no ambiente, frequentar estabelecimentos de ensino, bancos, farmácias, supermercados… Poderão se relacionar com outras esferas ou outros “mundos” do multiverso próprio, sem precisar desconectar-se. O cenário está rapidamente se ajustando e se acomodando.

Veja, por exemplo, algumas categorias operacionais do ambiente: de posse do meu rol de preferências musicais, a inteligência artificial consulta a minha agenda e verifica que nesse ou naquele dia é aniversário de casamento, e produz uma “playlist” pertinente a uma comemoração; para tudo que envolver compra e venda, com trocas monetárias, o Metaverso viabiliza as criptomoedas; para os saberes e conhecimentos produzidos, as bases de dados de compartilhamento em nuvem se fazem presentes. Os ajustes são ligeiros e, praticamente, naturais.

José Barroso Filho. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Como inserir os processos educacionais, aqui abordados como mecanismos de ensino e aprendizagem, de forma útil aos propósitos formativos, no Metaverso (sem muito atraso) é a tarefa que urge destacar.

É preciso atuação ampla e simétrica dos organismos educacionais (públicos e privados) para não se atrasar, para não perder o “time”. Do contrário, o risco de outros mundos sobremaneira mais complexos, para as nossas gerações, surgirem com alternativas virtualmente viáveis ao formalismo são grandes.

Muito se fez com a difusão e a adoção das novas tecnologias educacionais a fim de fazer face ao isolamento social imposto, de fato experimentamos uma evolução digna de nota. Continuemos, ou melhor, sigamos nesse caminho.

O que se pretende é alarmar o leitor para a questão do posicionamento da Educação no Metaverso para construir as bases para o Metaverso na Educação – as inegáveis influências são recíprocas e a adaptação é necessária como nunca. O quanto antes, melhor.

*José Barroso Filho é ministro do Superior Tribunal Militar e conselheiro do Conselho Nacional de Educação

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