Educação financeira no Brasil

Educação financeira no Brasil

É possível educar nossos filhos num país tão instável economicamente?

João Candido Motta*

09 de junho de 2022 | 04h00

João Candido Motta. FOTO: DIVULGAÇÃO

Sim, é possível. Obviamente não é tarefa fácil, especialmente no Brasil onde a pauta “educação financeira” só começou a tomar importância há pouco tempo e mais recentemente se tornou parte do currículo nacional. Mas como meu bisavô, membro da Academia Brasileira de Letras, costumava dizer “a diferença entre um leigo e um especialista são alguns anos de estudo”.

Em um país marcado por constantes momentos de instabilidade financeira, diversas trocas de moedas, inflação, variação cambial acentuada e regras econômicas instáveis a tarefa de educar financeiramente parece um desafio complexo e impraticável, mas não é. Conhecimento, diferentemente do levantamento do IBGE, não tem classe (A, B, C, D e E). Conhecimento é democrático, é para todos. Mas a dúvida é: como e quando abordar o assunto?

O advento e o sucesso dos canais digitais, dos influenciadores e das ferramentas mobile que abordam temas financeiros, dicas de finanças pessoais e a inclusão da educação financeira nos currículos escolares facilitou o contato com fontes de informação e conteúdo. No entanto, ainda falta um aspecto muito importante. O papel dos pais e responsáveis é peça chave na formação de um indivíduo financeiramente inteligente.

Existem exemplos maravilhosos de empresas, autores, canais de conhecimento e influenciadores com conteúdos relevantes, propósito e genuíno comprometimento com a erradicação da pobreza através do preparo e educação financeira de qualidade, inclusive para as novas gerações. Porém é necessário uma interação legitima e entre gerações.

É fato que os pais ainda são os “influencers” mais efetivos na formação de um jovem e que o desenvolvimento da inteligência financeira resulta fortemente das interações mútuas entre a família, o jovem e o meio. Portanto, é essencial que os adultos se aproveitem das novas tecnologias e ferramentas para se prepararem e fomentarem dentro de casa a discussão e a reflexão sobre as opções diárias de consumo dos jovens desde cedo.

Nesse sentido encontrar ferramentas que possibilitem aos jovens adentrar no mundo financeiro e bancário, com limites e acompanhamento dos pais parece muito interessante. Ferramentas que promovam a famosa “autonomia monitorada”, ou seja, liberdade alicerçada na responsabilidade.

É importantíssimo buscar conteúdos que não ensinem somente a investir. Educação financeira vai muito além, ainda mais quando falamos de jovens. Palavras como “funções executivas” e “controle inibitório” são chaves para formação de jovens inteligentes financeiramente.

A busca por conteúdo e ferramentas que ajudem as famílias ensinar educação financeira deve focar em estratégias que reforcem, incentivem e instruam seus membros a questionarem impulsos, orçar e avaliar o bem, produto ou investimento que se quer realizar ou adquirir e – acima de tudo – entender o comportamento humano para promover estratégias de reflexão sobre as decisões de consumo.

As interações da família em torno do tema “financeiro” é peça fundamental na educação, afinal, muito mais do que esquemas teóricos e técnicas pedagógicas, educação financeira é sobre hábitos e comportamento.

Ao se educar, o indivíduo começa a tomar decisões informadas e inteligentes. Veja que não estamos falando de decisões conscientes (que nada mais é do que ter ciência do ato de consumo realizado) mas sim, inteligentes, que levam em conta análise crítica e analítica dos gastos e das oportunidades: saber fazer opções, esperar, planejar, poupar, ponderar necessidades, pesquisar e se informar.

No fundo o desejo de toda família é que as novas gerações VIVAM e não sobrevivam, queremos erradicar comportamentos financeiros nocivos que limitam as possibilidades das novas gerações terem uma vida próspera, equilibrada financeiramente e feliz. Sabemos que dinheiro é um recurso finito e utilizá-lo de modo inteligente é essencial para possibilitar o acúmulo de recursos que permita o investimento naquilo que se pretende fazer (sonhos, objetivos acadêmicos, viagens etc.).

Com as ferramentas digitais adequadas, acesso a conteúdos relevantes e podendo acompanhar a jornada do jovem de perto e desde cedo, a tarefa de educar financeiramente ficará muito mais leve e fácil. Basta achar a que melhor se adequa a você e sua família.

*João Cândido Mota é empreendedor e especialista em educação financeira

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