Educação financeira: muitos falam, mas será que fazem?

Educação financeira: muitos falam, mas será que fazem?

Fernando Ferraz*

01 de setembro de 2020 | 05h00

Fernando Ferraz. FOTO: DIVULGAÇÃO

Me sinto entusiasmado com o aumento das discussões sobre educação financeira no Brasil. Por muito tempo, esse foi um tema esquecido e ignorado por diversos elementos do ecossistema: Estado, empresas e pessoas físicas, por exemplo.

Agora, com o aumento das conversas em torno do tema, existe um misto de animação e medo. É animador ver que se democratiza o acesso ao conhecimento, mas assusta pensar que poucos realmente falam sobre educação financeira de forma qualificada e colocando no centro o impacto social, no geral, não se pensa no outro, mas sim em seus objetivos próprios.

Devemos ressaltar que e-books, webinars, lives, blogposts, palestras e outros tantos conteúdos desse tipo se passam por educação financeira, mas estão longe de ser realmente. Educar alguém financeiramente está diretamente relacionado com conexão humana genuína, contexto e flexibilidade, além de personalização e proximidade.

Impactar a vida das pessoas, por meio de uma relação mais positiva com o dinheiro e com suas finanças é a base de uma saúde financeira mais saudável. Entender quais são os objetivos de forma consciente e visando a produtividade faz com que possamos romper com os modelos tradicionais de crédito no Brasil.

De forma recorrente, muitos estudos identificam que grande parcela da população brasileira se encontra com alguma dívida. Tradicionalmente elas são criadas por uma emergência ou necessidade, mas elas também se perpetuam, pois existe um sistema profundo que impacta na manutenção dessas dívidas. Entre eles estão o crédito concedido sem uma análise profunda das motivações, a falta de suporte após concessão e, principalmente, a falta de conhecimento sobre educação financeira qualificado.

Nesse cenário onde muitos falam, fica evidente que poucos realmente fazem. E deixo claro que fazer não é sobre agir somente, mas sobre qualificar essa ação e priorizar o impacto na vida das pessoas. Reconhecer que possuímos um problema profundo é o primeiro passo, depois temos que seguir caminhando para plantar sementes e pulverizar conhecimento qualificado.

Devemos possuir um senso crítico importante que reforce a responsabilidade de sobre a relação das pessoas com o dinheiro, do mesmo jeito que diminuir taxas aumenta a atração, ela pode se tornar um problema se quem disponibiliza não pensa no pós, mas sim somente no retorno financeiro.

*Fernando Ferraz, CEO do Grupo H

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