Educação financeira e sustentabilidade: dois temas que andam lado a lado

Educação financeira e sustentabilidade: dois temas que andam lado a lado

Marcelo Nonohay*

16 de fevereiro de 2020 | 14h00

Marcelo Nonohay. FOTO: DIVULGAÇÃO

Comportamentos como poupar antes de gastar, reaproveitar produtos e consumir de forma consciente são fundamentais para construirmos um futuro mais sustentável. Por isso, educação financeira e sustentabilidade são temas que têm relação entre si.

Ao tomar atitudes ligadas à educação financeira, como o uso consciente do dinheiro, a redução dos impulsos consumistas e a reutilização de produtos, as pessoas também estão aderindo a comportamentos favoráveis ao meio ambiente.

A educação financeira representa todo processo no qual as pessoas compreendem melhor sua relação com o dinheiro. Quem recebe educação financeira desde criança não é controlado pelo dinheiro, mas ao contrário: constrói uma relação de autonomia, podendo gerar renda.

Como a maior parte da população brasileira não recebeu educação financeira, fica mais difícil conscientizar para a sustentabilidade. Por esse motivo, os dois temas são considerados urgentes e essenciais para a transformação social.

Como trabalhar a educação financeira e sustentabilidade?

Educação financeira e sustentabilidade estão diretamente relacionadas com simples ações diárias para reduzir o impacto no meio ambiente. Essas ações estão atreladas aos 5 R’s: Repensar; Reduzir; Recusar; Reutilizar e Reciclar.

Repensar

O Repensar nos convida a refletir sobre os hábitos de consumo e o descarte. O que você compra é realmente o que precisa ou está consumindo por impulso?

Não é de hoje que a discussão sobre o nível de consumo que a sociedade pratica ganhou proporções cada vez maiores. O Instituto Akatu realiza uma pesquisa anual sobre o nível de consumo consciente do brasileiro. Em sua última edição, de 2018, a organização constatou que 76% dos 1.090 entrevistados – homens e mulheres como mais de 16 anos – não praticam o consumo consciente.

Isso quer dizer que eles não pensam, por exemplo, sobre a origem do produto que estão comprando ou se a empresa fabricante possui posturas sustentáveis. O principal motivo relatado pelos entrevistados para não realizarem uma compra consciente é que é mais trabalhoso e caro.

A pesquisa mostrou também que 68% dos entrevistados já ouviram falar em sustentabilidade, enquanto 61% não sabem o que é um produto sustentável. Por não verem uma postura favorável das empresas e nem dos governos, 37% dos entrevistados disseram não se sentirem seguros para mudar sua postura.

Reduzir:

O segundo R, de Reduzir, representa um convite a consumir menos produtos, dando preferência aos que tenham maior durabilidade. Algumas formas de reduzir são: adquirir refis de produtos; optar por produtos que tenham menos embalagens; priorizar embalagens retornáveis; diminuir o uso de produtos descartáveis.

Recusar:

Recusar produtos que prejudicam o meio ambiente é uma outra ação que impacta diretamente na sustentabilidade. Alguns dos produtos que podem ser recusados são: sacos plásticos; embalagens não retornáveis; lâmpadas incandescentes; aerossóis.

Reutilizar:

O quarto R é o Reutilizar. Ao pensar em uma nova função para a embalagem de um produto que acabou, por exemplo, você está ampliando a vida útil do produto, além de economizar na extração de matérias-primas virgens.

Existe a possibilidade tanto de criar produtos artesanais a partir de embalagens de vidro, papel, metal ou plástico, quanto de utilizar essas embalagens para armazenar alimentos ou qualquer material miúdo.

Reciclar:

Por fim, o último R é o de Reciclar, que significa reduzir o desgaste de água, energia e matéria-prima, além de gerar trabalho e renda para milhares de pessoas.

Segundo o Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana (Selurb) e a consultoria PwC (PricewaterhouseCoopers), 24% dos domicílios brasileiros não contam com coleta de lixo, e o índice nacional de reciclagem é de apenas 3,7%.

Por que trabalhar os 5 R’s?

Trabalhar os 5 R’s pode parecer uma estratégia ligada somente a ações de sustentabilidade. Mas, essas práticas também se conectam à educação financeira. Ao Repensar, Reduzir, Recusar, Reutilizar e Reciclar, você aprende a definir o que é prioridade, e isso impacta diretamente nas finanças pessoais.

Ideias de ações que unem educação financeira e sustentabilidade 

Ao considerar que educação financeira e sustentabilidade são assuntos tão importantes para a transformação social, utilizá-los como temas para um programa de voluntariado, por exemplo, é uma ótima ideia.

E fazer isso de forma criativa é melhor ainda. O uso de jogos, dinâmicas e metodologias é uma boa saída para trazer os dois temas para a realidade do beneficiado.

Abaixo, seguem algumas ideias de ações para trabalhar a educação financeira e sustentabilidade:

Ações de conscientização para diminuir os gastos dentro de casa

Economizar no uso de energia elétrica dentro de casa pode auxiliar na diminuição do valor das contas e também ajudar o meio ambiente. Ações simples, como diminuir quanto tempo usa o chuveiro, quantas vezes deixa as luzes ligadas e a geladeira aberta trazem resultados significativos.

Ações que ensinam a economizar no supermercado

Algumas atitudes quando se vai às compras podem evitar desperdícios de alimentos. Ensinar, por exemplo, a fazer uma lista de compras com o que realmente precisa no mercado antes de sair de casa evita compras desnecessárias. Isso significa menos embalagem, menos matéria-prima e também economia nas finanças pessoais.

É possível também ensinar sobre qual alimento é menos prejudicial ao meio ambiente e ao corpo humano, incentivando a alimentação saudável.

Ações de reciclagem de materiais

Reaproveitar embalagens de vidro, metal ou plástico aumenta o tempo de vida da matéria-prima. Esses tipos de ação ajudam a conscientizar sobre economia na compra de materiais e diminuição do gasto de mais recursos naturais.

Ações com crianças para conscientizá-las sobre economia de dinheiro

Construir cofrinhos com produtos recicláveis é uma ação que liga educação financeira e sustentabilidade. Ajuda na conscientização sobre a importância de economizar e, ainda, recicla materiais prejudiciais ao meio ambiente.

Com esse tipo de ação, é possível também ensinar sobre planejamento financeiro. Construir três cofrinhos – um para curto prazo (até três meses), outro para médio (até seis meses) e outro de longo (até um ano ou mais) – pode ensinar os pequenos sobre a importância de guardar dinheiro para objetivos futuros.

4 dicas para ações de educação financeira e sustentabilidade 

Como os dois temas atingem todos os públicos, de crianças a idosos, é importante tomar alguns cuidados na hora de planejar ações de educação financeira e sustentabilidade. Entre eles, destacamos:

Conheça o público que receberá a ação de educação financeira e sustentabilidade e prepare atividades que correspondam à idade, à situação econômica e à escolaridade dos beneficiários, para melhor entendimento dos temas;

Não faça propagandas sobre produtos ou serviços para que todos os assuntos tratados ganhem devida credibilidade diante do público-alvo;

Muna-se de argumentos sobre a situação econômica e a crise do meio ambiente no Brasil e no mundo para justificar o trabalho com os temas centrais;

Não se esqueça de que o maior objetivo de ações sobre educação financeira e sustentabilidade é ajudar a realizar sonhos e projetos de vida e criar uma sociedade mais sustentável.

A educação financeira e sustentabilidade, portanto, são temas que se complementam e são necessários para a transformação social. Neles, é possível trabalhar atitudes simples que podem fazer grande diferença em comunidades e sociedades inteiras.

*Marcelo Nonohay é diretor da MGN Consultoria, empresa especializada em gestão de projetos de transformação social

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