Educação empreendedora começa em casa

Educação empreendedora começa em casa

Alexandre Nabil Ghobril*

23 de julho de 2018 | 04h00

Alexandre Nabil Ghobril. FOTO: DIVULGAÇÃO

Um pequeno empresário britânico, Henry Patterson, surpreendeu economistas, educadores e empresários por atingir sucesso nos negócios aos 9 anos de idade, abrindo 3 negócios. Começou a vida empresarial vendendo adubo no eBay, depois passou a comprar produtos em uma loja perto de sua casa, em Bedford, Inglaterra, e revender. E a mais nova empreitada do garoto é a venda de doces para crianças. Trata-se da “Not Before Tea” (Não Antes do Chá) e o retorno tem sido um sucesso. Henry conta com a ajuda dos pais, mas ele mesmo se encarregou de desenhar o logotipo, criar a estratégia de marketing e as embalagens dos produtos.

O caso de Henry não é único. Historicamente, quem começa a empreender muito cedo tende a não parar de criar novos projetos. Alguns estudiosos comparam esse comportamento a um ‘vírus empreendedor’.

De olho no potencial das crianças, o Brasil tem desenvolvido diversos projetos de estímulo ao empreendedorismo no Ensino Fundamental e Médio. Um dos seus entusiastas é o professor Fernando Dolabela, que vem ajudando a implementar sua “pedagogia empreendedora” em centenas de escolas municipais. Um projeto que merece destaque é o da Prefeitura de São José dos Campos, que tem promovido, periodicamente, uma feira de exposição de projetos criados pelos alunos do Ensino Fundamental.

De fato, todas as pessoas têm potencial para empreender. É nato para alguns, mas pode ser estimulado e desenvolvido nos demais. É lógico que algumas pessoas têm uma capacidade maior de enxergar as oportunidades e transformá-las em negócio. Mas isso é resultado não só do tino empresarial nato, mas também do ambiente em que se está inserido (família, cultura, referências, experiências).

Se a criança naturalmente segue na direção de criar e empreender, é porque isso é sua vocação natural, algo agradável e gratificante para ela. Isso não tem nada a ver com o trabalho infantil forçado para ajudar nas despesas da família.

Sendo assim, os pais são fundamentais na hora de estimular o empreendedorismo dos filhos. Eles devem mostrar aos seus herdeiros o valor do trabalho, a importância de se lutar e se esforçar para alcançar seus objetivos, a disciplina inteligente (não a coercitiva), a importância de sonhar grande e os exemplos e as recompensas de quem ‘faz diferença’.

Viaje com as crianças para locais com diferentes culturas, estimule o trabalho nas férias e limite o valor da mesada, de forma que a criança aprenda a dar valor ao dinheiro e ao trabalho e queira buscar sua própria independência.

A escola também pode fazer sua parte, propondo atividades (gerar soluções para a reciclagem local do lixo, produzir um jornal da escola ou uma competição de robôs) que valorizem a criatividade e a solução de problemas reais, que será útil qualquer que seja o caminho profissional do aluno. Durante esse processo, pais e professores devem não somente incentivar, mas também orientar a criança para que ela possa conciliar essa atividade empreendedora com outras importantes para sua fase, como os estudos, os amigos e o lazer.

Por fim, a veia empreendedora não atrai crianças muito apegadas às regras, presas aos diversos “isso não” que ouvem o tempo todo de pais e professores. A maior parte delas tem esse espírito empreendedor desde pequenas, mas os adultos teimam em ‘podar’ os filhos para manter a “ordem e a disciplina”. “Estimular o fazer, dar autonomia e alguma liberdade para a criança criar e realizar o que gosta é a chave para ela se desenvolver. Saber a dose de “nãos” que devemos falar é uma equação muito difícil para pais e educadores”.

*Alexandre Nabil Ghobril é pesquisador do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica e professor do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas (CCSA) da Universidade Presbiteriana Mackenzie

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