Educação continuada para o crescimento econômico

Carlos Eduardo Gomes*

24 Agosto 2018 | 06h00

Nas últimas décadas, o crescimento econômico brasileiro tem sido inconstante e volátil, pontuado por períodos curtos de alta ou de baixa, tipificando os chamados “voos de galinha”, jargão utilizado com frequência pelos agentes econômicos. As séries históricas em relação ao PIB demonstram a dificuldade e o desafio que temos enfrentado para manutenção de uma taxa de crescimento robusta e sustentável.

Diversos fatores afetam o desempenho da economia, tais como os itens regulatórios e as políticas públicas, que influenciam na eficiência e no peso do Estado sobre a economia, a transparência e previsibilidade das regras de negócios, a capacidade de investimento público e privado, a infraestrutura, além de outros fatores associados como o déficit fiscal, taxa de juros, complexa estrutura de impostos e tributos, burocracia, estímulos e incentivos para o empreendedorismo e iniciativa privada, nível de consumo das famílias etc.

Adicionalmente, também somos afetados por fatores externos, como preços de commodities, acordos comerciais entre países e blocos econômicos, questões climáticas, conflitos e crises mundiais, dentre outros, e que de forma pontual impactam os negócios, mas que por si só não podem ser citados como justificativas consistentes para as dificuldades estruturais da economia, que predominante são de nossa responsabilidade e não de agentes externos.

A capacidade econômica de um país depende fortemente da competitividade das organizações para a concretização de negócios nos mercados interno e externo, e este é um fator relevante que gostaria de pontuar neste texto. A competitividade das organizações e, por conseguinte, do país é reflexo de um complexo sistema.

No primeiro nível ou camada de análise, os fatores mencionados nos parágrafos anteriores são os mais óbvios e visíveis. Porém, ao aprofundarmos nas camadas mais centrais, poderemos observar que a qualidade da formação dos cidadãos, em termos educacionais, culturais e profissionais são componentes primordiais que forjam e modelam, na essência, o poder competitivo de uma nação.

Obviamente que na raiz da formação das pessoas a muito já debatida fraca qualidade do ensino público, nos níveis fundamental e médio, salvo raras exceções, acarreta em gaps importantes no processo de formação da cidadania e da qualificação dos profissionais, e muito provavelmente este aspecto seja o mais relevante de todos os nossos desafios.

Não há mais dúvidas de que a principal fonte de vantagem de competitiva sustentável das organizações, e podemos extrapolar para a nação, é a qualidade do capital humano, considerado o mais importante dos ativos intangíveis. A produtividade, a eficiência e a inovação no ambiente empresarial dependem sobremaneira do nível de qualificação e engajamento dos funcionários.

No contexto atual, o conhecimento e as novas tecnologias estão evoluindo em ritmo muito acelerado, por vezes de maneira caótica e difusa, o que nos impulsiona a continuar estudando e aprendendo de forma permanente, mesmo após a conclusão do curso de graduação.

Em paralelo, a competição empresarial não está localizada exclusivamente no âmbito das organizações, mas também no âmbito dos indivíduos, dentro das organizações. As empresas privadas estão operando com estruturas cada vez mais enxutas, com pirâmides mais achatadas, aspectos que intensificam a disputa por cargos e remuneração entre os colaboradores.

O planejamento e a gestão da carreira dependem cada vez mais do protagonismo do indivíduo, com menos interferência ou dirigismo por parte da organização. As oportunidades de desenvolvimento e de carreira estão sendo oferecidas para os profissionais que demonstram mais preparo técnico, resultados e competências.

Em decorrência deste cenário, os profissionais, em todas as áreas do conhecimento, estão investindo constantemente no aperfeiçoamento de conhecimentos e competências para se manterem competitivos no mercado de trabalho, seja como funcionários de pequenas, médias e grandes empresas, seja como liberais ou autônomos.

*Carlos Eduardo Gomes é coordenador do Lato Sensu do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas (CCSA) da Universidade Presbiteriana Mackenzie

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