Eduardo Cunha troca a doce rotina dos melhores hotéis de Paris por cama de concreto na prisão da Lava Jato

Eduardo Cunha troca a doce rotina dos melhores hotéis de Paris por cama de concreto na prisão da Lava Jato

Ex-deputado preso por ordem do juiz Sérgio Moro fez exames médicos, recebeu advogados e almoçou arroz, feijão e macarrão na marmita

Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Fausto Macedo e Julia Affonso

21 de outubro de 2016 | 05h00

Eduardo Cunha, depois de fazer exame no IML, em Curitiba. Foto: Denis Ferreira/AP

Eduardo Cunha, depois de fazer exame no IML, em Curitiba. Foto: Denis Ferreira/AP

Mais novo prisioneiro da Lava Jato na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, o ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) almoçou nesta quinta-feira, 20, arroz, feijão e macarrão em uma marmita. Usou garfo e faca de plástico.

No primeiro dia de custodiado, por ordem do juiz Sérgio Moro, o “homem bomba” do PMDB no escândalo Petrobrás ficou isolado dos outros detidos e ocupado em conversas com advogados de defesa.

Considerado um “risco” para o governo Michel Temer (PMDB), o ex-presidente da Câmara dos Deputados passou isolado sua primeira noite na cadeia, de quarta para quinta, em uma cela de 12 metros quadrados, sem acesso aos colegas de cárcere e, por sorte, a salvo das noites frias da capital paranaense – a temperatura foi amena.

O criminalista Marlus Arns, recém-contratado de Cunha e que já atuou em delações premiadas da Lava Jato, foi à sede da PF e garantiu a jornalistas: “Esse tema (delação) não foi discutido, nem está em pauta”.

Preso em Brasília nesta quarta-feira, 19, por ordem do juiz federal Sérgio Moro, Cunha chegou à Superintendência da PF, em Curitiba, centro nervoso da Lava Jato, às 17h.

Sob regime de prisão preventiva – por tempo indeterminado – seu depoimento ainda não tem data marcada.

“Ele está bastante tranquilo. Os advogados vinham trabalhando há algum tempo, todos os cenários eram possíveis e vão ser tomadas todas as medidas para se combater a decisão (de prisão)”, disse Marlus Arns.

 hotel cunha

Rotina do cárcere. A quinta-feira, 20, começou cedo para Cunha. Às 9hs, estava pronto para ser levado ao Instituto Médico Legal para exame de corpo de delito, procedimento usual.

Escoltado por policiais encapuzados e fortemente armados, o ex-deputado foi submetido ao exame em menos de 10 minutos. Ao sair, reclamou da medida cautelar. “É um absurdo”, disse Cunha, ao ser questionado por jornalistas sobre o que teria a dizer sobre sua prisão, decretada por Moro.

De volta à carceragem, o ex-presidente da Câmara dos Deputados foi mantido separado – inclusive no banho de sol – dos demais presos da Lava Jato, alguns deles seus delatores, como o doleiro Alberto Youssef e o empreiteiro Marcelo Odebrecht.

Ele foi flagrado ocultando dinheiro de origem ilícita em jantares luxuosos regado a vinhos caros – como consta dos lançamentos em seu cartão de crédito -, nos restaurantes mais famosos de Paris, como o Gu Savoy (conta US$ 1,3 mil), o Les Tablettes (US$ 965) e o Le Grand Vefour (US$ 1,1 mil), em fevereiro de 2015.
A doce rotina foi trocada na Custódia da PF por um suco concentrado no acompanhamento do almoço servido aos presos.

No “serviço de quarto” da carceragem da PF estão incluídos ainda café com leite e pão com manteiga.

Na cela ele dispõe de uma cama de concreto e colchonete, privada e pia de metal.

A privacidade inexiste – uma realidade bem distante da que passou no último verão de 2015, no Hotel Plaza Athnee, onde gastou US$ 15,8 mil.

Sem prazo para ser solto, o primeiro interrogatório de Cunha para a Lava Jato em Curitiba ainda não tem data e ele só poderá ver alguém da família na quarta-feira, da próxima semana – dia que são autorizadas visitas aos presos.

Tudo o que sabemos sobre:

operação Lava JatoEduardo Cunha

Tendências: