“Eduardo Cunha era uma máquina de arrecadar dinheiro e impressionava todo mundo”, diz Pedro Corrêa

Rafael Moraes Moura e Luiz Vassallo/ BRASÍLIA

16 de outubro de 2017 | 21h10

FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADAO

BRASÍLIA – O deputado federal cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) era uma “máquina de arrecadar dinheiro”, disse em seu acordo de colaboração premiada o ex-deputado Pedro Corrêa (ex-PP), conforme depoimento divulgado no site da Câmara dos Deputados.

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De acordo com Corrêa, Eduardo Cunha – que teve o mandato cassado pela Casa em setembro do ano passado – estava por trás de um esquema de arrecadação de dinheiro da Petrobrás para abastecer o PMDB.  Segundo Corrêa, Cunha recebeu “com certeza” parte do dinheiro que os ex-diretores da Petrobrás Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró conseguiram para o partido na eleição de 2006.

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Em agosto deste ano, a delação de Corrêa foi homologada pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que decidiu manter o sigilo. O depoimento, no entanto, foi tornado público agora pela Câmara.

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“O Cunha foi uma máquina de arrecadar dinheiro, ele impressionava todo mundo, arrecadava dinheiro de todos eles, tinha coragem imensa”, disse Corrêa, ao explicar como funcionava o esquema de corrupção instalado na Petrobrás.

“Eduardo Cunha eu tenho certeza recebeu parte do dinheiro que Paulo Roberto Costa (ex-diretor de abastecimento) e Nestor Cerveró (ex-diretor da área internacional) conseguiram para o PMDB na eleição de 2006, quando Paulo Roberto Costa tirou cerca de US$ 6 milhões do partido, que iam ser destinados para o PP, e entregou isso depois de uma reunião na casa do Renan (senador Renan Calheiros)”, afirmou Corrêa.

SEDE. Corrêa também afirmou que foi procurado depois das eleições de 2002 por Cunha e pelo deputado federal Julio Lopes (PP-RJ), que teriam se queixado na época das dívidas de suas campanhas.

“Me procuraram pra me dizer que tinham gasto cada um deles R$ 5 milhões na eleição e que queriam saber como é que eles, o partido poderia resolver esse assunto deles e recuperar esses R$ 5 milhões. Na oportunidade, eu disse aos dois, ‘Se vocês que acabaram de chegar em Brasília,  forem com tanta sede ao pote, vão acabar cassados’”, disse Corrêa.

Corrêa ainda contou na sua delação que foi acertado inicialmente com Cerveró uma arrecadação de US$ 700 mil dólares para o PMDB em propina por mês. “Nestor Cerveró não conseguir cumprir o compromisso,  que era muito alto evidentemente. Ele não tinha como, na diretoria internacional, conseguir US$ 700 mil por mês. Então foi indicada a substituição dele”, comentou Corrêa.

OUTRO LADO. Procurada pela reportagem, a defesa de Cunha informou que não teve acesso ao depoimento de Pedro Corrêa. O deputado federal Julio Lopes, por sua vez, não atendeu à ligação.

De acordo com a assessoria de Renan Calheiros (PMDB-AL), o peemedebista nunca participou da reunião relatada. “Jamais me reuni com Cunha, Henrique Eduardo, Jorge Luz ou Pedro Correia. Pelo contrário. Nunca mantive qualquer relação com eles!!!!! O arquivamento pelo Supremo de uma denúncia com base em delações fantasiosas, na semana passada,  demonstra que a verdade dos fatos prevalece em relação a essas mentiras contadas por esses criminosos”, disse o senador, em nota enviada pela sua assessoria de imprensa. (Rafael Moraes Moura e Luiz Vassallo)

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