Editora recorre por ‘Diário da Cadeia’

Editora recorre por ‘Diário da Cadeia’

Venda e distribuição de livro assinado por pseudônimo 'Eduardo Cunha' foram proibidas pela 13.ª Vara Cível do Rio, mas Record quer derrubar decisão no Tribunal de Justiça do Estado sob alegação de que se trata de um romance e que jamais divulgou que o livro é uma autobiografia do ex-deputado

Luiz Vassallo e Julia Affonso

10 de abril de 2017 | 15h35

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A Editora Record recorreu ao Tribunal de Justiça do Rio solicitando a liberação do livro ‘Diário da Cadeia’, assinado por um pseudônimo ‘Eduardo Cunha’. A venda e a distribuição do ‘Diário da Cadeia – com trechos da obra inédita Impeachment’ foram proibidas no dia 23 de março por decisão da juíza da 13.ª Vara Cível fluminense, Ledir Dias de Araújo, atendendo a pedido da defesa do ex-deputado, preso na Operação Lava Jato.

Na sexta-feira, 7, a Editora Record moveu recurso contra a decisão, alegando que “jamais divulgou que o livro (192 páginas, R$ 34,90) é uma autobiografia ou algo do gênero”.

“Do mesmo jeito, fica claro na capa que o autor não é o senhor Eduardo Cunha, mas, sim, um pseudônimo, recurso artístico bastante antigo”, esclarece a editora.

A Record reitera que o livro está ‘registrado como um romance’ e diz ‘ver com grande preocupação o impedimento à circulação de uma obra ficcional’.

“Dessa forma, a Editora Record renova sua mais absoluta crença na liberdade de criação, na circulação livre e ampla da literatura e no aspecto desafiador da ficção”, afirma a editora, que está proibida inclusive de publicar trechos e imagens da capa de ‘Diário da Cadeia’ no próprio site.

Na noite de 12 de setembro de 2016, quando teve o mandato cassado por quebra de decoro, em votação plenária da Câmara Federal, Eduardo Cunha declarou que ia escrever um livro sobre os bastidores do processo de impeachment.

Segundo a Record, o posterior encarceramento do ex-parlamentar, ‘no entanto, serviu de mote para um autor desconhecido testar os limites da ficção e realidade e relatar os dias do ex-deputado na cadeia’.

O livro estava previsto para ser lançado em 27 de março, mas foi proibido pela Justiça do Rio três dias antes.

De acordo com a juíza da 13ª Vara Cível da Capital, Ledir Dias de Araújo – acolhendo pedido da defesa do peemedebista – a propaganda do livro ‘dá a entender’ que o livro tem, na verdade, autoria do ex-deputado, e não de um autor sob o pseudônimo de Eduardo Cunha.

“A própria capa do livro leva-nos a pensar que o mesmo foi escrito pelo autor da ação, uma vez que é ele quem se encontra recluso, não sendo crível que o pseudônimo também se encontre recluso a justificar o título escolhido para o livro”, anota a juíza, que também fixou multa diária de R$ 400 mil para o caso de descumprimento da medida.

“Na verdade, nossa crença é na democracia”, afirma a Record no recurso ao TJ do Rio. “Vamos lutar por ela, por nossos livros e por nossos autores até o nosso último recurso. Essa é uma das funções mais importantes de uma editora e dela não abriremos mão.”

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