Economia saudável

Economia saudável

Marcus Vinícius Dias*

24 de julho de 2021 | 06h00

Marcus Vinícius Dias. FOTO: DIVULGAÇÃO

Não há na história recente um momento em que o tema saúde tenha estado tão em voga quanto o atual. Em 11 de Março de 2020, a Organização Mundial de Saúde colocou na ordem do dia dos assuntos do planeta o Covid 19 e, por extensão, as discussões de Saúde, a partir da decretação oficial da pandemia ainda vigente.

As repercussões na vida cotidiana dispensam detalhes. Não há um só indivíduo sem hábitos e rotinas alterados pela pandemia. Os setores da economia foram revirados de cabeça pra baixo, e todos, de algum modo, sentiram no bolso essas mudanças, que em geral o tornaram mais vazio.

Na contramão de uma retração dos variados setores econômicos, no entanto, destaca-se a Saúde. Segundo dados do Caged (Cadastro Geral dos Empregados e Desempregados), nos últimos doze meses, mais de 213 mil postos de trabalhos foram criados no setor. Apenas no mês de maio as novas vagas passaram de 16 mil. Já são mais de 136 mil novos empregados na turma da Saúde este ano. Hoje somos mais de 4 milhões de brasileiros na linha de frente, correspondendo a 9% do PIB nacional e perfazendo em torno de 8.7% da força total de trabalho, segundo dados do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar.

Poucos setores têm no dia a dia tamanho impacto social, emocional e econômico como tem a Saúde. Para além de um direito, como quis o constituinte, ela é um bem gerador de riquezas. Embora sejam expressivas as cifras e os indicadores do setor, sua real dimensão pode ser traduzida pelo fato de que, enquanto bilhões mundo afora se resguardavam em casa a fim de evitar o contágio pelo vírus potencialmente fatal, outros milhões vestiam seus uniformes de super-herói e se alistavam para o enfrentamento desta batalha, expondo-se ao risco de contágio e mortalidade bem acima da média da população em geral. Está aí a nossa força.

No momento em que a Saúde se torna o centro dos debates, é oportuno trazer à mesa das Reformas este tema. Os dois tópicos que mais afligem o brasileiro médio são Saúde e Emprego, de acordo com as pesquisas de opinião. Por meio de uma Reforma Administrativa, temos a chance de transformar a assistência à saúde. É preciso, no entanto, que a mudança não vise o aspecto fiscal como alvo maior, mas a um aperfeiçoamento dos processos administrativos, gerando valor e melhoria dos serviços públicos prestados.

Na outra ponta, precisamos de uma Reforma Tributária que não penalize o setor da Saúde, sobretudo os pequenos e médios, elevando, sob o pretexto de simplificação, a carga tributária que ao cabo possa causar a diminuição de empregos e uma maior dificuldade de acesso aos serviços de saúde, transformando-se em pesadelo duplo do cidadão comum.

Que da dificuldade severa imposta pela chaga do COVID emerja um país mais forte e resiliente. Que a doença e o desemprego, hoje os maiores vilões do sono do brasileiro, convertam-se em antônimos e abram espaço a grandes conquistas civilizacionais. E que a economia da Saúde possa ser, ao fim, um importante motor desta virada de mesa.

*Marcus Vinícius Dias, médico do Ministério da Saúde, mestre em Economia pelo IBMEC e atual diretor do Hospital Estadual Azevedo Lima, em Niterói

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