Economia e a alta da gasolina: uma análise sobre o cenário atual

Maurício Somlo*

21 de agosto de 2021 | 02h30

A pandemia da covid-19 tem sido cruel com os brasileiros. Isso é um fato. Mas, a verdade é que esta não é, definitivamente, a única questão que anda tirando o sono da população – especialmente a de menor poder aquisitivo.

E, aqui, podemos mencionar alguns dissabores bem recentes, pelo menos no que tange à situação econômica do País. Na última terça-feira, 6 de julho, por exemplo, entraram em vigor os novos valores referentes ao óleo diesel e à gasolina – anunciados no dia anterior pela Petrobras.

Com relação ao primeiro, houve um crescimento de 3,69%. Assim, o valor passou de R$ 2,71 para R$ 2,81, em média, por litro. A alta acumulada no ano é de 39%. No segundo caso, a mudança foi ainda mais significativa: o preço médio por litro saiu de R$ 2,53 e chegou aos R$ 2,69 nas refinarias. Uma alta de 6,32% – acumulando cerca de 46% desde janeiro.

As porcentagens, que podem parecer pequenas à primeira vista, doem no bolso de quem precisa fazer uso de tais combustíveis para se locomover diariamente pela cidade. Para entender este impacto de forma ainda mais clara, basta que observemos os altos valores do litro da gasolina, que já chegavam ao consumidor final mesmo alguns dias antes do reajuste: em São Paulo, por exemplo, o preço médio era de R$ 5,47; em Belo Horizonte, R$ 5,98; e, no Rio de Janeiro, R$ 6,27.

A mudança representa, invariavelmente, um enorme desfalque na renda de quem já está fragilizado por conta das mais diversas consequências da atual pandemia, como o desemprego – que, em âmbito nacional, chegou à taxa recorde de 14,7% no 1º trimestre de 2021.

O conjunto, como um todo, é alarmante e verdadeiramente desanimador. O cenário, de fato, não é dos melhores. O que resta é cogitar alternativas para que, a longo prazo, a coisa mude de figura.

No caso dos combustíveis, por exemplo, vale rever a necessidade do uso de veículos com motores a combustão, que, além de deixarem seus usuários à mercê das elevações de preço nas bombas, comprometem a qualidade do ar que lançamos diariamente em nosso organismo.Uma alternativa, neste sentido, pode ser apostar em transportes que se locomovem a partir do uso do etanol.

E os veículos elétricos não ficam para trás: no continente europeu, de acordo com relatório divulgado no último mês de junho pela Agência Europeia do Meio Ambiente (AEE), um em cada nove automóveis novos vendidos é elétrico ou híbrido. O resultado dessa escolha é a queda de 12% nas emissões de CO2.

De uma forma ou de outra, é imprescindível ponderar sobre mudanças significativas, afinal, pensar em novas e recorrentes ondas de síndromes respiratórias é algo que está fora de cogitação – pelo menos pelas próximas centenas de anos.

*Mauricio Somlo é sócio na Elemovi

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