Economia colaborativa beneficia empresas

Economia colaborativa beneficia empresas

Mary Albuquerque e Monica Granzo*

07 Janeiro 2018 | 04h30

Mary Albuquerque e Monica Granzo. Foto: Rogério Akira

A economia colaborativa já é uma realidade em grande parte das empresas no Brasil e chegou para ficar. O tema, no entanto, é importante lembrar, é muito amplo e permeia a existência da humanidade há milhares de anos.

A verdade é que as ações que tem impacto social vem mudando a maneira com a qual os consumidores se relacionam e como fazem negócios. Isso porque, aos poucos, a sociedade vem tomando consciência dos efeitos nocivos que o consumo desenfreado causa não apenas à convivência, mas principalmente ao meio ambiente, o que certamente afetará negativamente as próximas gerações. A colaboração vem ganhando força em detrimento do acúmulo, tanto assim que o consumo colaborativo foi considerado, ainda em 2011, como uma das 10 ideias com potencial para mudar o mundo.

Exemplo disso são as empresas que adotam o conceito peer-to-peer, avaliadas em bilhões de euros. A semelhança entre elas? Muito simples: todas surgiram para atender às necessidades dos consumidores por preços mais acessíveis, a partir de um modelo de negócios que garante a escala para a empresa prestadora de serviços. A proposta é que todos saiam ganhando.

E afinal, como a economia colaborativa, tão amplamente difundida pode afetar positivamente as empresas, seus clientes e, consequentemente, seus resultados? Atualmente, existem três fatores nas organizações que merecem atenção quando o assunto é geração de valor e de resultados positivos na margem: cultura, cenário econômico e o ato de repensar modelos.

Quantas vezes você já ouviu ou falou que sua empresa sempre fez isso desta maneira e em time que está ganhando não se mexe? Ou então: sei que o volume considerável de atividades operacionais que os integrantes da equipe realizam diariamente, os impede de olhar para a estratégia do negócio? Mas, apesar disso, não sabe o que fazer de forma objetiva para atrair mais resultados e, ao mesmo tempo, atender às políticas e regras estabelecidas pela alta gestão.

A atual crise econômica, que somente agora começa a dar sinais de chegar ao fim, concedeu um protagonismo estratégico para operações nas áreas de compras, a partir da atuação mais firme em negociações que buscam uma melhor relação entre custo e benefício para a empresa. É muito natural notarmos maior engajamento destes times e até mesmo a profissionalização estratégica dos gestores que passam a atuar como coachs com o objetivo de extrair o melhor dos colaboradores.

O fato é que é imprescindível que empresas, independentemente do porte, repensem seus modelos e políticas se quiserem sobreviver nas próximas décadas. É preciso entender que mercado, consumo e colaboradores mudaram. O advento da internet e a velocidade em que as informações chegam vêm desafiando constantemente os gestores a tomarem decisões assertivas a fim de garantir a existência das operações e a reinvenção dos seus negócios. Um claro exemplo disso é a valorização de gestores que apresentam vivência em grandes empresas e que hoje atuam como empreendedores. Afinal, ter a visão dos dois mundos ajuda imensamente a no enfrentamento dos processos mais engessados.

Agora, vamos partir do pressuposto que independentemente de sua posição na empresa, avaliando do estagiário ao CEO, você deseja o melhor para a organização, quer que ela atinja altos patamares para o seu crescimento profissional (promoção/bônus) e que ela se mantenha geradora de empregos para atender clientes respeitando sua missão, visão, valores e propósito. É a partir deste olhar integrado que todos querem apenas uma coisa: que a empresa prospere, com a ciência de que alguns ajustes precisam ser feitos.

E em meio a este cenário desafiador, surgem alternativas de economia colaborativa que se propõe a resolver problemas reais das relações comerciais entre empresas, que se unem para comprar em escala e com o propósito de geração de valor para toda a cadeia e segmento, por meio de projetos autossustentáveis, muitas vezes sem qualquer investimento por parte de quem contrata. Além do ganho de escala, o compartilhamento das melhores práticas contribui para o constante aperfeiçoamento da operação.

O fato é que as empresas brasileiras já perceberam que essa é a melhor saída para um crescimento constante, com inúmeros benefícios. Em uma rápida pesquisa com gestores é possível identificar a melhora direta na margem EBITDA e no fluxo de caixa; mais eficiência operacional; a criação de nova cultura e desenhos mais arrojados de relacionamento com o fornecedor, com foco no crescimento bilateral de negócios.

Com a contratação de um parceiro como este, é possível ter mais que um “fornecedor” e sim um parceiro estratégico que além de desenvolver e apoiar projetos de geração de valor, operem como um hub tecnológico, consolidando a demanda de milhares de produtos indiretos de diversas categorias que não estão diretamente ligadas ao core do negócio. O percentual de economia na negociação conjunta pode chegar a 20% e o objetivo é simples: a sub existência das empresas, sozinho eu compro por R$ 10,00 junto com outras empresas eu posso comprar por R$ 8,00.

Acreditamos que perfis de profissionais inovadores e preocupados com o sucesso de suas empresas, devem estar antenados com os novos modelos, principalmente os amparados em economia colaborativa. Se você ainda não pensa assim, fica aqui o convite a conhecer esta experiência. Assim, teremos mais empresas cada vez mais rentáveis e sustentáveis.

*Mary Albuquerque é CSO e Monica Granzo é CEO da Smarkets

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