‘E vamos todos na Esplanada brincar com os comunas’

‘E vamos todos na Esplanada brincar com os comunas’

Corregedoria-Geral da Polícia Militar no Distrito Federal investiga policial Rodrigo Jardim por postagem em rede social que, segundo o Ministério Público, representa ‘discurso de ódio’ a manifestantes que protestavam contra cortes na educação na quarta, 15

Pepita Ortega

16 de maio de 2019 | 16h33

A Corregedoria-Geral da Polícia Militar do Distrito Federal vai investigar o caso do policial que na manhã desta quarta, 15, teria publicado no Instagram, uma foto fardado ao lado de colegas, em um veículo da corporação. A imagem tinha como legenda a frase ‘E vamos todos para o extra na Esplanada brincar com os comunas’, em referência à manifestação contra cortes na educação pública que acontecia em Brasília. O texto era seguido de emoticons de uma bomba, uma explosão e um taco de beisebol.

A PM acatou pedido da Promotoria de Justiça Militar do Ministério Público do DF, que, na quarta-feira, 15, enviou um ofício ao corregedor-geral da PM requisitando a apuração das ‘transgressões disciplinares’ atribuídas ao policial militar Rodrigo Jardim.

Documento

No documento, o Ministério Público destaca que a manifestação do policial representa ‘inequívoco discurso do ódio’ uma vez que incita a violência, ‘pela utilização de emoticons que fazem alusão a tiro, bomba e pauladas-cassetete’.

Segundo o MP, os ‘comunas’ mencionados pelo policial seriam os estudantes e professores que integravam o grupo de manifestantes que, em Brasília, saíram do Museu da República e contornaram a Esplanada dos Ministérios até a porta do Ministério da Educação (MEC).

Nesta quarta, em cerca de 250 cidades, em todos os Estados, milhares de pessoas foram às ruas para protestar contra os cortes orçamentários na área da Educação, que afetaram principalmente as universidades públicas federais.

A Promotoria de Justiça Militar destacou que as manifestações fazem parte do exercício da democracia e se configuram como uma ‘forma de comunicação e expressão coletiva, criando um espaço público de discussão que transcende a hierarquia estatal’.

Os protestos possibilitam ‘a atualização de demandas sociais junto ao Estado, traduzindo os diferentes interesses, lutas e discursos sociais’, diz Flávio Augusto Milhomem, promotor de Justiça que assina o documento.

De acordo com o promotor, a conduta do militar fere artigos do Regulamento Disciplinar do Exército aplicado à Polícia Militar do Distrito Federal.

No documento, ‘provocar discussão, por qualquer veículo de comunicação, sobre assuntos políticos ou militares, exceto se devidamente autorizado’ é considerado transgressão.

COM A PALAVRA, A POLÍCIA MILITAR DO DISTRITO FEDERAL

“A Polícia Militar informa o caso está sendo apurado pela Corregedoria da PMDF.”

COM A PALAVRA, O POLICIAL RODRIGO JARDIM

A reportagem tenta contato com o policial por meio da Assessoria de Imprensa da PMDF. O espaço está aberto para manifestações.

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