‘É um susto’, diz advogado do PT e de Gleisi alvo da Pixuleco II

Guilherme Gonçalves, cujo escritório sofreu buscas nesta quinta, afirma que efetivamente prestou serviços para Consist Software, pela qual teriam sido desviados valores de consignados no âmbito do Ministério do Planejamento

Redação

13 de agosto de 2015 | 14h11

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Andreza Matais

O advogado Guilherme Gonçalves, alvo da Pixuleco II – 18.º capítulo da Operação Lava Jato – declarou que é titular de ‘um escritório bem conceituado’ situado em Curitiba e disse que presta serviços para o PT na área eleitoral. Também atuou em ‘diversas campanhas’ da senadora Gleisi Hoffmann (PT/PR) e para o marido dela, o ex-ministro do Planejamento do governo Lula, Paulo Bernardo.

“Atuamos na área de direito eleitoral para o PT. Eu advogo no direito eleitoral desde 1996. Advoguei nas campanhas da Gleisi, várias campanhas, não só na última. Foram demandas corriqueiras na área eleitoral”, disse Gonçalves. “Para o Paulo Bernardo advoguei pessoalmente em queixas crimes que propus como advogado dele.”

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O advogado, que mantém sua banca no centro de Curitiba – base da Lava Jato – rechaçou com veemência que a versão de que não prestou serviços para a Consist Software, conforme suspeita a Polícia Federal. Agentes da PF fizeram buscas nesta quinta-feira, 13, no escritório de Gonçalves.

A Consist Software teria sido usada por organização criminosa para distribuir propinas a partir de empréstimos consignados no âmbito do Ministério do Planejamento. O novo esquema descoberto pela Lava Jato teria como coordenador o ex-tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, preso em Curitiba.

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O advogado Guilherme Gonçalves demonstrou perplexidade e disse ter ficado constrangido com a ação da PF em seu escritório. “Como advogado tenho prerrogativas. Se (a PF) tivesse solicitado eu levaria toda a documentação prontamente, sem restrições. É documentalmente comprovado que prestei serviços para a Consist, não existe nada de fachada. Tenho todos os documentos que mostram que houve sim prestação de serviços e consultoria para a Consist pela qual recebemos honorários advocatícios.”

Gonçalves é categórico. “Facultei à Polícia Federal o contrato de honorários advocatícios com a Consist. O contrato é de 2010, juntei tudo o que eu podia. É tudo regular, inclusive o contrato foi aprovado pelo Jurídico da Consist. De fato, prestamos uma série de serviços. Eu acho constrangedor a conduta da Polícia Federal. Os policiais agiram absolutamente dentro dos conformes, mas tenho prerrogativas de advogado. Eu teria facultado acesso a tudo se eu tivesse sido intimado. Eu teria comparecido à Polícia Federal. No momento que a Polícia opta por uma busca é um susto, você fica sem saber o que fazer. Não havia necessidade. Tenho todas as notas emitidas, provei documentalmente que tem contraprestação de serviços.”

LEIA A NOTA OFICIAL PUBLICADA PELA ASSESSORIA DE IMPRENSA DO ADVOGADO GUILHERME GONÇALVES

“A Polícia Federal esteve, nesta quinta-feira pela manhã, no escritório do doutor Guilherme Gonçalves para averiguar documentos relativos à empresa Consist Software, investigada na 18.ª fase da operação Lava Jato. Gonçalves prestou serviços de advocacia, consultoria e assessoria jurídica, devidamente documentados, para a empresa, conforme está firmado em contrato, e está em total cooperação com a Polícia na investigação, tendo facultado acesso a todos os documentos relativos a essa prestação de serviço. O escritório GRC Advogados, liderado pelo Dr. Sacha Reck, e do qual o advogado Guilherme Gonçalves não faz parte, não tem qualquer ligação com a Consist, visto que a prestação de serviços sempre foi feita diretamente por ele e sua equipe.”

COM A PALAVRA, RUSSO

O presidente do diretório municipal do PT, Marco Bariao, o ‘Russo’, informou que Romano não é mais filiado ao partido. “O senhor Alexandre Correa de Oliveira Romano foi filiado ao PT de Setembro de 1999 a 22 de Setembro de 2005′.

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