E o skate encantou

E o skate encantou

Cassio Grinberg*

07 de agosto de 2021 | 12h25

Cassio Grinberg. FOTO: DIVULGAÇÃO

Quando eu comecei a andar de skate, na pré-adolescência, as manobras tinham nomes mais simples, e metade delas ainda não existia. E isso, além de fantástico, é a gênese do skate.

Por que o skate encantou tanto nas Olimpíadas? Pergunta errada: de que forma o skate NÃO roubaria a cena em sua estreia em Tóquio?

O skate, além de um esporte, é uma filosofia, um modo de ver o mundo a partir do prisma da criatividade. No incrível TED Talk “Pop an Ollie and Innovate”, o skatista Rodney Mullen — criador do freestyle, que hoje é a base do estilo street — nos ensina que o skate é uma grande pool, um open source que alimenta e se retroalimenta da originalidade de cada skatista.

Diferente do surfe, que coloca dois surfistas disputando as mesmas ondas na mesma bateria, um campeonato de skate é uma festa: nele, você tem um senso de pertencimento fora da curva, porque encontra todas as pessoas que admira, e que te ensinam, no mesmo lugar. E existe colaboração, troca e, por incrível que pareça, vibração com os acertos dos “concorrentes”.

Basta lembrar da alegria e da gratidão da Rayssa Leal — a nossa “fadinha”, medalha de prata no street — simplesmente por estar ali. Aliás, você reparou que ela, com 13 anos, foi postada no stories do Instagram por Tony Hawk, com 53? E que, apesar da diferença de idade de 40 anos, ambos convivem, se ensinam, e destroem?

O skate é o esporte individual mais coletivo que existe, um esporte sem árbitro, que vive em Beta. Por isso as manobras vão ganhando mais nomes, presenteadas pela genialidade da criação espontânea acumulada em cada camada do tempo. Um skatista, quando vê uma nova manobra e gosta, pensa: adorei. Mas vou fazer do meu jeito.

Você já entendeu o paralelo que isso tem com nossas empresas e nossas casas, né? Seja grato pelas oportunidades, nunca ache que é cedo ou tarde para empreender algo, acredite na transformação, aprenda a cair, não trate o concorrente como inimigo (aprenda com ele), tope correr alguns riscos e, acima de tudo, trabalhe e viva se divertindo o máximo que você puder.

*Cassio Grinberg, sócio da Grinberg Consulting e autor do livro Desaprenda

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