‘É muito pouco’, disse Eunício sobre propina de R$ 5 milhões, segundo delator

‘É muito pouco’, disse Eunício sobre propina de R$ 5 milhões, segundo delator

Em delação premiada, o diretor da J&F Ricardo Saud relatou que o peemedebista pediu propina para ‘os pares’ dele em troca de mudanças em Medida Provisória em benefício de empresários de produtos lácteos

Luiz Vassallo

21 de maio de 2017 | 05h00

Eunício Oliveira (PMDB-CE). Foto: André Dusek/Estadão

O presidente do senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE) pediu R$ 5 milhões à JBS em troca de edição de Medida Provisória que concederia benefícios fiscais a parte dos empresários do setor de produtos lácteos, alegou o diretor de Relações Institucionais e Governo da J&F Ricardo Saud, em delação premiada. Segundo o empresário, o peemedebista teria dito que o valor é ‘muito pouco’, mas que seria destinado aos ‘pares’ dele no Congresso. As tratativas aconteceram em 2013, contou o delator.

“isso aí você sabe, tem um custo aí, vamos fazer um custo de 5 milhões, isso é muito pouco, mas para eu ajudar meus pares, teria dito Eunício Oliveira, hoje, presidente do Senado, ao diretor da J&F.

Ricardo Saud, da J&F, relatou que a Associação Viva Lácteos – de empresários da indústria de laticínios – pediram ajuda ao presidente da Vigor – pertencente à J&F -, Guilherme Xandó, para que a empresa se aproveitasse da ‘força política’ para alterar uma Medida Provisória ‘que tratava de PIS Cofins’. Na versão do colaborador, ao MPF, havia um grupo empresarial ‘falido’ que pleiteava um crédito de R$ 100 milhões de PIS/Cofins. “Essa empresa com 100 milhões [de crédito], e ela vale R$ 2 milhões hoje, alguém vai comprar por R$ 2 ou R$ 3 milhões e vai receber 100, usar o crédito e ativar as outras empresas”.

“Pedi uma ajuda ao Romero Jucá, ele me ajudou, nunca pediu propina, e ele disse: olha, agora, você tem que ir atrás do Eunício. Ele era o relator”, relatou Saud.

Em uma primeira reunião com o senador, em 2013, o executivo relatou já ter oferecido ‘ajuda na campanha’, ‘igual sempre fizeram’, em troca da alteração na Medida Provisória relatada pelo peemedebista. Após o pedido de R$ 5 milhões, o delator afirma ter negociado: “Eu disse: ‘Eunício, mas a gente é parceiro há muito tempo. Você vai cobrar isso no grupo, 5 milhões’. Ele: ‘vou cobrar isso da associação’. Ele já sabia que era a associação inteira”.

Saud explica que foi realizada uma reunião entre os empresários e o senador e que, durante o encontro, o texto foi alterado, e os empresários ‘saíram de lá com uma proposta de R$ 5 milhões’. Os pagamentos ‘dissimulados’ teriam sido feitos ao Diretório Nacional do PMDB.

Apesar da propina de R$ 5 milhões, meses depois, o peemedebista teria alterado o projeto, de forma desfavorável à associação.

“Ele era meu amigo. 8 meses depois, ele foi relator de outra medida provisória e voltou atrás. E priorizaram esse povo aí. Esse tipo de negócio, depois de pago, não tem mais jeito. Como é que eu vou falar:’ você tá me roubando’! Você acha que terei o dinheiro de volta?”, relatou.

COM A PALAVRA, EUNÍCIO OLIVEIRA

Nota à Imprensa

O senador Eunício Oliveira afirma que os diálogos relatados pelo delator são imaginários, nunca aconteceram, são mentirosos, como é possível constatar na prestação de contas do diretório nacional de PMDB ao TSE.
No ano de 2013 não há doações ao partido conforme diz o delator, como é possível constatar nas prestações de contas do diretório nacional, que são públicas e podem ser verificadas nas declarações ao TSE.
Como relator revisor, o senador recebeu representantes do setor sim, como é absolutamente normal em casos de relatoria. O senador Eunício Oliveira não usa e nunca usou suas funções legislativas para favorecer empresas públicas ou privadas.

As contribuições eleitorais do grupo JBS para a companha de 2014 aconteceram sim, e estão devidamente declarados à justiça eleitoral na prestação de contas do candidato Eunício Oliveira.

Assessoria de Imprensa
Senador Eunício Oliveira
Brasilia, 19.05.2017

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